e-revista Brasil Energia 496

Brasil Energia, nº 496, 24 de julho de 2025 83 Ieda Gomes é consultora independente e membro do conselho de administração de empresas internacionais de energia, infraestrutura e certificação. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Ieda Gomes As rotas e desafios do gás argentino no Brasil Dentre as várias opções logísticas – Bolívia, TSB, Paraguai, Uruguai e GNL – a rota via Gasbol é a mais avançada. Mas custos pouco competitivos na fronteira brasileira e riscos regulatórios na Argentina e Bolívia afastam por ora maiores oportunidades deste suprimento em larga escala Em 2025, o Brasil iniciou um novo capítulo na integração energética do Cone Sul ao começar a importar gás natural argentino via Gasoduto Bolívia-Brasil. O Gasbol está subutilizado devido à queda da produção na Bolívia, cenário que abriu espaço para a utilização da mesma rota para escoar gás argentino até o Brasil. Esse novo fluxo representa uma oportunidade estratégica para a Argentina, que busca novos mercados para o gás de Vaca Muerta, e para o Brasil, que precisa diversificar suas fontes de suprimento frente à volatilidade do GNL, a redução das importações bolivianas e as incertezas sobre a disponibilidade de gás doméstico. O transporte do gás argentino pelo território boliviano requer o pagamento de tarifas de trânsito à estatal YPFB, US$ 1,40-US$ 2,00/ MMBtu. Esses custos variam conforme o tipo de contrato — firme, sazonal ou interruptível — e têm sido considerados elevados por operadores brasileiros. A Bolívia afirma ter capacidade técnica para transportar 35 MMm3/dia em seu território, dos quais 10 MMm3/dia de gás argentino ao Brasil com ajustes operacionais e contratuais. Para alcançar volumes da ordem de 10 MMm3/dia exportados via Bolívia, são necessários investimentos significativos na Argentina, especialmente na malha norte do país, que conecta Vaca Muerta à fronteira boliviana e também na segunda fase do gasoduto Nestor Kirchner, elevando a capacidade de transporte até o norte da Argentina para 44 MMm3/dia, com investimentos de US$ 2,6-3,0 bilhões. Tecnicamente, Vaca Muerta já tem capacidade instalada. No entanto, para garantir fornecimento sustentável para exportação, são necessários contratos de médio e longo prazo, que justifiquem aumento da produção. Apesar do alto potencial exportador, a capacidade da Argentina de exportar no inverno é limitada por gargalos estruturais e regulatórios. Dentre os quais estão a prioridade ao mercado interno, estabelecida em lei, em particular durante os meses de junho a agosto, quando a demanda interna de gás na Argentina sobe significativamente. Por exemplo, na primeira quinzena de julho/2025, a Argentina suspendeu exportações ao Chile e também o suprimento a indústrias e consumidores de GNC, devido a uma onda extrema de frio. A Argentina carece de infraestrutura robusta de armazenamento de gás. A produção precisa atender a demanda em tempo real, dificultando a gestão de excedentes. A malha do Gasoduto Norte precisa operar com flexibilidade, revertendo seu fluxo sazonalmente, o que ainda exige obras em andamento e cuidados operacionais complexos. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/as-rotas-e-desafios-do-gasargentino-no-brasil

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