e-revista Brasil Energia 497

Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 13 Telmo Ghiorzi é presidente executivo da ABESPetro, doutor em políticas públicas e mestre em engenharia. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Telmo Ghiorzi A geopolítica e os recursos de PD&I A ANP lançou oportuna pesquisa cuja finalidade é reavaliar as regras de PD&I. O momento geopolítico é um farol apontando para a importância de rever aspectos centrais e filosóficos desta política pública e de suas regras. Coautora: Maria Torres Os embates e turbulências geopolíticas pelos quais passa o mundo, sobretudo o Brasil, novamente trazem à tona a relevância e a necessidade de aumentarmos a capacidade de desenvolver inovações tecnológicas no país. Entre os mecanismos para induzir este processo estão o regulamento e obrigações de investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da ANP, as chamadas regras de PD&I. Embora a quantidade de recursos seja bastante expressiva, superando R$4 bilhões por ano, sua destinação e distribuição ainda requerem aprimoramentos. A palavra “inovação” é bastante disseminada, com muitos usos distintos daquele proposto pela chamada “Economia da Inovação”. Este ramo da economia heterodoxa, criado pelo economista Joseph Schumpeter (18831950), define inovação como a introdução de uma novidade no ambiente produtivo, gerando monopólio temporário e lucros extraordinários para a empresa que a introduz. Ela é, portanto, um meio utilizado pelas empresas para que se tornem, ou se mantenham, competitivas e lucrativas. A Economia da Inovação mostra que as inovações são a grande força motriz do crescimento econômico. A conexão com lucro é incontornável quando se analisa a inovação pela perspectiva econômica. Esta definição tem efeitos enormes e radicais sobre a maneira de modelar e analisar a economia e a política. O que não impede o uso da palavra “inovação” nos campos das leis, dos esportes, das artes dentre outros. A centralidade da inovação para a dinâmica concorrencial, especialmente nos segmentos mais vibrantes e intensivos em tecnologia, estabelece que as empresas são agentes especialmente engajados e comprometidos com a realização de esforços inovativos. Em muitos casos, sobretudo nas inovações mais radicais e disruptivas, parte dos esforços de Pesquisa e Desenvolvimento são realizados por Universidades. Mas não se origina nas Universidades a definição dos problemas atuais ou potenciais que vão gerar inovações. Os avanços da Economia da Inovação mostram também que a integração e, sobretudo, a interação cognitiva entre diversos tipos de atores, nos chamados “Sistemas de Inovação”, são grandes indutores de inovação. Em face destas condições de contorno, caberia analisar como os recursos de PD&I são distribuídos. Análise feita pela ABESPetro, a partir dos dados disponíveis no Painel Dinâmico de Obrigações de Investimento em PD&I, da ANP, mostram a seguinte distribuição para os recursos aplicados de 2017 até 2022. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/a-geopolitica-e-os-recursosde-pdi

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