Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 29 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Choque tarifário e financiamento bancário ao setor de Óleo e Gás Análise mais cuidadosa permite identificar um choque proveniente da mudança na dinâmica comercial sobre os fluxos de financiamentos globais, ainda mais sensíveis em setores mais voláteis e dinâmicos com os mercados de Energia Ainda é prematuro estimar com precisão os efeitos que a nova política tarifária do governo dos Estados Unidos causará na economia global e essa dificuldade de acurácia deriva não somente do aspecto temporal envolvido, mas da própria natureza do conjunto de medidas, uma vez que se abre precedente para negociações bilaterais imprevisíveis e peculiares. Há que se verificar também a volatilidade das medidas que viram uma sequência de alterações ao sabor do humor do presidente Trump. Ainda assim, há algumas inferências conceituais que podem ser feitas e não têm sido verificadas no debate a nível macro global, sendo a principal delas o efeito da política comercial americana sobre o financiamento internacional, com nosso interesse em especial no setor de energia. Em geral, os comentários têm sido voltados para os efeitos que afetam o comércio de bens e serviços, mas é útil descortinar o véu monetário e avaliar a identidade expressada nos balanços de pagamentos das diversas economias nos quais todo fluxo comercial reflete ou é reflexo de um fluxo de ordem financeira. Uma análise mais cuidadosa permite identificar um choque proveniente da mudança de dinâmica comercial sobre os fluxos de financiamento globais, que são ainda mais sensíveis em setores mais voláteis e dinâmicos como os mercados de energia. Um primeiro comentário que deve ser feito joga luz sobre o volume de comércio global que se reduzirá e impactará as taxas de crescimento das principais economias globais. Isso amortece o efeito pró-crescimento decorrente da redução de juros por parte dos principais bancos centrais e apesar do crédito a rigor ficar mais barato, a baixa expectativa de crescimento contrai o crédito bancário. Isso porque os bancos atribuem maior valor à liquidez e optam por direcionar seus ativos para títulos públicos ou diversificação de carteira. Outro ponto relevante é que, apesar da depreciação do dólar em escala global, houve também redução dos preços de commodities, sobretudo petróleo. O movimento é fruto do pessimismo esperado para a demanda em virtude do menor crescimento projetado. De tal maneira que as receitas das companhias de petróleo tendem a diminuir tanto pelo preço quanto pela quantidade, neutralizando o efeito positivo da depreciação do dólar. Assim, como em alguns contratos as receitas das companhias servem de garantia e lastro para vultuosos empréstimos, a tendência é uma maior resistência dos bancos ao crédito bancário. Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/choque-tarifario-efinanciamento-bancario-ao-setor-deoleo-e-gas
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