Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 61 sem contar com o reforço da geração térmica a partir da biomassa, os reservatórios teriam se esgotado a um nível próximo dos 3% de enchimento, o que inviabilizaria a operação das usinas e, mesmo que operassem, “não seria possível atender a demanda no Sudeste, que congrega dois terços do nosso PIB”, explica Duarte. Bagaço e palha geram 75% No ano passado, de acordo com os dados levantados pela Unica, a bioeletricidade atingiu a marca de 28.260 GWh gerados, o que a situou na quarta posição entre as fontes geradoras de energia elétrica, ligeiramente atrás do gás natural. Nos cálculos da associação entram diversos tipos de biomassa, como lenha, lixívia, bagaço e palha de cana, resíduos de madeira, capim elefante, casca de arroz, biogás etc. No cálculo não entra a geração dos autoprodutores. Do total de 21.218 GWh da bioeletricidade gerada em 2024, o bagaço e a palha da cana-de-açúcar responderam por 75% da oferta de matéria prima. O licor negro resultante do processamento da indústria de papel e celulose veio na sequência, ofertando 5.118 GWh excedentes para o sistema elétrico em 2024. Em março desse ano, a biomassa da cana respondeu por 70,1% de toda a potência outorgada pela fonte biomassa, com 12.670 MW instalados. Trata- -se de uma capacidade instalada que supera a da hidrelétrica de Belo Monte, com 11.233 MW e 428 unidades em operação comercial. Os números da bioeletricidade gerada a partir do bagaço e da palha de cana ganham maior importância quando se observa a sua aplicação na prática. O volume de energia produzido por térmicas a biomassa em 2024 foi o suficiente para atender a cerca de 11 milhões de residências ao longo do ano, o equivalente a 31,4 milhões de pessoas no Brasil. A bioeletricidade gerada poderia atender duas vezes a população do Uruguai. Os benefícios ambientais são múltiplos. Considerando-se as preocupações com a descarbonização e transição energética, a energia gerada a partir da queima da biomassa resultou em uma redução de emissões de CO2 estimada em 6,1 milhões de toneladas, o equivalente ao plantio de 43 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos. Considerando-se a expansão da geração a partir da biomassa verificada entre 2005 e este ano, foi registrado um total de 14,2 mil MW agregados ao parque gerador nacional, uma capacidade que supera a da hidrelétrica de Itaipu (14 mil MW). Em relação à expansão total da geração no período, que foi de 129.825 MW, esse montante correspondeu a 11% do total inserido no país no mesmo período. n Quem é fonte nesta matéria NEWTON DUARTE, presidenteexecutivo da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen)
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