e-revista Brasil Energia 497

Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 67 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer A superação da pobreza energética no Brasil e o meio ambiente Renunciar a qualquer fonte energética em um país que exibe Consumo Energético Per Capita 3,5 vezes inferior ao de países mais avançados significa abrir mão de empregos, riqueza e renda e gerar mais GEE, em uma autofagia econômica, tecnológica e ambiental Dentro dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) da ONU, também conhecidos como Agenda 2030, criados em 2015, poucos se atentam que o ODS 1 é a “erradicação da pobreza”. E que não foi por acaso, pois se espera que todas as políticas públicas voltadas aos ODS nunca percam essa referência como uma das principais metas de uma sociedade contemporânea justa. O ODS 1 reconhece que a erradicação da pobreza está diretamente interligada a diversos fatores, como fome, acesso à educação, saúde e obviamente a energia a um preço justo que caminhe contrário à exclusão social e econômica. No Brasil, cada vez mais o conceito de “pobreza energética” começa a ser discutido, em especial em momentos que se acirram discussões, também legítimas, da colocação de restrições do desenvolvimento de fontes energéticas convencionais que estão ao acesso em bases justas por países onde essa pobreza se consolida. No país, ao longo das últimas duas décadas, foram desenvolvidos importantes programas para o maior acesso à energia na busca da redução de baixo consumo per capita, como o programa Luz para Todos, as Tarifas Sociais para diversos energéticos e o programa Gás para Todos. No caso do acesso à energia elétrica, os esforços de busca da universalização fizeram com que, já em 2019, tivéssemos 99,8% da população atendida em suas residências. Associada a esses programas, uma das ações mais importantes para orientação de políticas públicas foi a criação do Observatório Brasileiro de Erradicação da Pobreza Energética, conhecido como Obepe, coordenado atualmente pela Empresa de Pesquisa Energética – EPE. O Obepe mapeia e monitora indicadores socioeconômicos e de consumo, faz comparativos por regiões e com outros países e ajuda a criar políticas públicas mais eficazes. Portanto deve ser fortemente considerado em outras políticas públicas em discussão no Brasil como o chamado Plano Clima. O Obepe, que vale ser visitado no site da EPE também mostra: • Dados detalhados sobre o consumo energético das famílias brasileiras; • Mapas das regiões mais afetadas pela pobreza energética; • Análise de políticas públicas que funcionaram em outros países. • Recomendações para ações no Brasil focando em energias que ao mesmo tempo sejam sustentáveis e acessíveis. Continue lendo esse artigo em: /energia/a-superacao-da-pobrezaenergetica-no-brasil-e-o-meioambiente

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