Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 79 A 31ª Fenasucro & Agrocana, realizada de 12 a 16 de agosto em Sertãozinho (SP), dobrou o número de expositores em relação à edição anterior, passando de 300 para mais de 600 empresas, e teve como destaque a estreia da Fenabio, conferência sobre o futuro das bioenergias. Em seis painéis, foram discutidas as perspectivas de expansão tanto do etanol de cana como o de milho, este último em rápido crescimento no Centro- -Oeste. O ânimo, para começar, tem a ver com o aumento na mistura obrigatória do álcool anidro na gasolina, que passou a 30% em agosto e que deve atingir 35% até 2030. O potencial de expansão de uso do hidratado, ainda subutilizado na frota flex do país, é outro fator. Com mesma importância para a bioenergia nacional, também entraram na pauta das discussões o biometano, biodiesel, biobunker e SAF, todos impulsionados pela Lei do Combustível do Futuro. O clima de expansão já ficou claro na abertura da conferência, quando o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), relator da Lei, destacou que cada 1% adicional de etanol anidro representa 1,5 bilhão de litros anuais a mais de demanda, volume possível de crescer até 35% no médio prazo com a expansão da produção, principalmente via etanol de milho e de trigo. Outros palestrantes destacaram o potencial de expansão do etanol hidratado no país. Martinho Ono, presidente da distribuidora SCA Brasil, ressaltou que o consumo hoje é limitado a apenas seis estados que concentram 80% da demanda nacional. Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, lembrou que na frota flex, responsável por 85% dos carros do país, apenas 27% abastecem majoritariamente com etanol, índice que já foi de 41,5% em 2018 e que, apenas a se retomar esse patamar, já ampliaria em muito a demanda. No mercado externo, o SAF foi o centro das atenções. O CEO da Acelen Renováveis, Luiz de Mendonça, apresentou o projeto da futura biorrefinaria em São Francisco do Conde (BA), que produzirá até 1 bilhão de litros/ano de SAF e HVO. Cerca de 80% da produção do SAF, segundo o CEO, já tem contratos firmados, voltados sobretudo à exportação. Também Pedro Paranhos, CEO da distribuidora Evolua Etanol, estimou demanda adicional de 8 milhões de m3/ano de etanol para SAF em 2030, além de mais 3 milhões para biobunker e 5 milhões para atender à nova meta do Japão, que elevará de 2% para 10% a mistura de etanol anidro em sua gasolina até 2030. Leia a seguir a cobertura da Fenabio.
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=