Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 93 Zilmar Souza é doutor em Engenharia de Produção, pós-doutor em Economia e gerente de Bioeletricidade na Unica. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Zilmar Souza Por que não um LRCap exclusivo para as biotérmicas? Uma política setorial inédita direcionada ao combustível renovável, que inclua um certame separado das UTEs convencionais não renováveis, já garante um ambiente competitivo considerando os 7 GW em biotérmicas cadastradas Desde o ano de 2019, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), os Planos Decenais de Expansão de Energia (PDE) têm apontado a necessidade de capacidade de potência de modo direto, sem rodeios, indicando que a relevância da contratação desse requisito é cada vez mais imediata. A realização de leilões de reserva de capacidade (LRCap) tem sido uma opção para solucionar ou mitigar a necessidade de potência do Sistema Interligado Nacional e a EPE, no Plano Decenal de Energia (PDE) 2034, estimou que a necessidade de termos uma potência adicional chegará a 5,5 GW em 2028, equivalente a metade de uma usina Belo Monte. Em 2021, tivemos a realização do 1º LRCap objetivando atender esse requisito de capacidade a partir de 2026, com a fonte biocombustível cadastrando 437 MW, mas comercializando apenas um projeto de 66 MW (1,4% da demanda contratada no leilão). Térmicas convencionais a gás natural e óleo combustível lideraram a contratação com 3.762 MW e 710 MW, respectivamente. Em 2025, estava previsto ocorrer o 2º Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência, para acontecer em junho, porém foi cancelado por conta de disputa judicial do certame entre os grupos envolvidos. A ideia era termos 10 produtos comercializados, sendo nove de potência termelétrica a gás natural e biocombustíveis e um produto de potência hidrelétrica, envolvendo instalações novas e existentes. Apesar do cancelamento, tivemos uma boa notícia durante a fase de cadastramento. Mesmo que disparadamente as térmicas a gás natural lideraram o cadastramento, com 61.635 MW cadastrados (83% do total), as térmicas biocombustíveis foram responsáveis pelo cadastramento de 6.932 MW, respondendo por 9,4% do cadastramento total, a frente até das ampliações de usinas hidrelétricas, que cadastraram 5.476 MW (7,4% do total). É uma excelente notícia saber que há metade de uma Itaipu em potenciais projetos de térmicas biocombustíveis para entregar potência ao sistema, apresentando os requisitos de segurança eletroenergéticas necessários à sua participação no certame, ao mesmo tempo em que cumprem atributos de sustentabilidade e renovabilidade que as térmicas convencionais têm dificuldade de entregar ou, simplesmente, não conseguem. Continue lendo esse artigo em: energia/por-que-nao-um-lrcap-exclusivopara-as-biotermicas
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=