e-revista Brasil Energia 497

Brasil Energia, nº 497, 25 de agosto de 2025 95 Marcelo Souza de Castro, graduado em Engenharia Mecatrônica e doutor em Engenharia Mecânica, é diretor do Cepetro, da Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Marcelo Castro Plataformas de Tecnologia e ecossistema de inovação Plataformas Demonstradoras de Tecnologia (PDT), já bem-sucedidas no setor aeroespacial, são modelo promissor para o setor de Óleo e Gás e serviriam como infraestrutura e hub para o desenvolvimento de novas empresas, empreendedores e soluções práticas A matriz energética brasileira apresenta singularidades que a destacam globalmente, sendo majoritariamente composta por fontes renováveis na geração de eletricidade, com 90% da produção em 2023. Essa realidade, entretanto, contrasta com a forte dependência de combustíveis fósseis no setor de transportes, que ainda representa 78% do consumo. Desde 2016, empresas nacionais e internacionais atuantes na produção de petróleo investiram cerca de R$ 31 bilhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I), conforme exigência contratual da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Apesar desse montante, áreas estratégicas como a capacitação de fornecedores receberam pouquíssimos investimentos, por motivos diversos. Entretanto isto compromete o crescimento de empresas de base tecnológica e a geração de empregos no país. A trajetória de desenvolvimento tecnológico no setor de petróleo e gás brasileiro, especialmente em ambientes offshore, foi marcada por iniciativas pioneiras como os programas Procaps, que posicionaram a Petrobras como líder em tecnologias para águas profundas. A política de conteúdo local contribuiu para a expansão da indústria nacional, mas não se traduziu integralmente em inovação tecnológica interna, já que boa parte da P,D&I das empresas de serviços e fornecedores de soluções para o setor ainda ocorre fora do Brasil. Isto é mais um motivo para a limitação na criação de empregos qualificados e restringe o surgimento de novas empresas nacionais, abrindo espaço para propostas que priorizem o desenvolvimento e a exportação de tecnologias localmente concebidas. As Encomendas Tecnológicas (Etecs) são uma ferramenta estratégica para fomentar inovação em situações em que produtos e serviços ainda não estão disponíveis no mercado ou apresentam inviabilidade econômica. Caracterizadas por alto risco tecnológico, as Etecs permitem a indução da inovação, como exemplificado pelas aquisições de vacinas durante a pandemia de Covid-19 ou sistemas complexos para as Forças Armadas. No Brasil, uma das maiores utilizadoras de Etecs é a Petrobras em busca de soluções específicas. Inspiradas nesse conceito, as Plataformas Demonstradoras de Tecnologias (PDTs) despontam como uma política pública/privada capaz de estruturar o desenvolvimento tecnológico de forma integrada. Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/plataformas-detecnologia-e-ecossistema-deinovacao

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