Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 15 rios de armazenamento e de usinas reversíveis (UHRs) que permitem gerar várias vezes com a mesma água. O estudo, que foi divulgado também sobre outras fontes, começa por mostrar as evidências recentes geradas por episódios de secas e enchentes extremas, no período de 2012 a 2024, como a seca da região Norte de 2023/2024 que provocou a paralisação da UHE Santo Antônio, no Madeira (RO), quarta maior do país, e o funcionamento irregular das UHEs Cachoeira Caldeirão e Ferreira Gomes, no rio Araguari, Amapá. Esses eventos, conforme constata o trabalho, tornam vulnerável trabalhar o planejamento do sistema com base no histórico pluviométrico, uma vez que ele já não mantém a confiabilidade anterior, exigindo a introdução de novas práticas e tecnologias no processo. A partir do refinamento das projeções do IPCC, a EPE identifica cinco tendências para o clima no Brasil neste cenário de mudanças, sendo as duas primeiras de alta confiança de que ocorrerão e as outras três, de média confiança: • aumento da temperatura média em todas as regiões; • aumento da frequência e duração das secas nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste; • redução da chuva anual na região Norte; • aumento da chuva anual na região Sul; e • aumento das chuvas extremas no Sudeste, Sul e Norte. Os principais riscos para as hidrelétricas associados às tendências acima são de redução da geração, no caso das secas, e da segurança das infraestruturas, no caso das cheias extremas, como as ocorridas no Rio Grande do Sul em 2023 e 2024. Nestes cenários, o estudo ressalta a necessidade de equilíbrio entre riscos e investimentos de modo a assegurar o abastecimento de energia com modicidade tarifária. Após destacar os trabalhos que já vem desenvolvendo na direção de diagnosticar e adaptar o planejamento à nova realidade, a EPE lista o que pode ser feito neste caminho em quatro blocos: promover tecnologia e inovação, aperfeiçoar metodologias, avançar na regulamentação e ampliar a comunicação. No primeiro bloco, além da ampliação do armazenamento com reservatórios, UHRs, baterias e novas possíveis tecnologias, o trabalho inclui também a modernização e recapacitação das usinas existentes. No bloco das metodologias está o aprimoramento da representação da geração das UHEs. Na regulamentação, está a sempre reclamada revisão dos atributos do sistema, como a flexibilidade. E na comunicação, o destaque é a ampliação do diálogo entre os atores envolvidos na geração, no uso dos recursos hídricos e nos aspectos ambientais. n
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