Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 27 Com previsões de dependência externa crescente, o Brasil tem três novos projetos de refino em construção, um concluído e outros três em processo de ampliação de capacidade, segundo as solicitações de autorização à ANP. Apesar dos apelos pela descarbonização face às mudanças climáticas, a previsão é de aumento da demanda por combustíveis fósseis pelo menos até o começo da próxima década. O primeiro deles a entrar em operação é a planta da Brasil Refino em Simões Filho (BA), com capacidade de 736 barris diários, que tem licença da ANP para conclusão da obra até outubro, segundo o Painel Dinâmico de Autorizações de Refinarias. A companhia informa que vai produzir diesel S10, diesel 500, gasolina, solventes, parafina, nafta, óleos pesados, entre outros derivados. Procurada pela Brasil Energia, a empresa informou que a previsão de início de operação permanece para o 2º semestre de 2025, ainda sem data definida. A Brasil Refino tem entre sócios a empresa de logística e construção de embarcações Fe Intermodal. Em 2024, quando o empreendimento já tinha 95% de avanço físico concluído, foi protocolada a licença de operação. “Antecipamos etapas finais de interligações de tubulações, testes a quente e integração ao grid elétrico, visando encurtar o tempo entre a emissão da licença e o ramp up comercial”, informa a Brasil Refino em seu site. A empresa acrescenta que tem o propósito de contribuir para suprir a lacuna da dependência externa crescente de combustíveis. “Nossa refinaria nasce para reduzir essa dependência: transformar petróleo abundante em derivados no país, no volume e no perfil que o mercado exige”. Não à toa, três dos sete projetos com processos de autorização para construção ou ampliação de refinarias são na Bahia, a exemplo da Brasil Refino, que vai inaugurar a planta no Centro Industrial de Aratu (CIA). A nova Gran Bahia (13,5 mil barris/dia) e a ampliação da Dax Oil (15,7 mil bd), em Camaçari, também vão contribuir para preencher uma lacuna na região, deixada em parte devido à venda de ativos da Petrobras no estado. A oferta de matéria-prima mais descentralizada na região, com vários campos de empresas independentes também é um fator atraente para pequenos projetos de refino. Quase todos os novos projetos já em processo de autorização na agência reguladora são no Nordeste, a região mais deficitária. Entre eles estão a nova refinaria de Pecém, de 100 mil barris/dia, em construção no Ceará pela Noxis Energy, e as ampliações na Rnest, que somam cerca de 400 mil barris diários, pela Petrobras em Pernambuco. A exceção, único novo projeto fora do Nordeste é o da Votopetro (4 mil barris), localizado no interior de São Paulo, ponto estratégico para fornecer combustíveis para o crescente agronegócio. As obras estão concluídas, aguardando autorização da agência. De acordo com a empresa, o portfólio de produtos inclui pentano, hexano, heptano, aromáticos C9, tolueno, xileno, nafta, querosene, aguarrás, IPA (Isopropanol), MEK (Metil Etil Cetona), etanol, metanol e óleo combustível.
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