e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 49 Edmar de Almeida é economista, professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Edmar de Almeida Potencial do resíduo orgânico urbano para o biometano no RJ Dados da Prefeitura registram que em 2024 foram coletados no município 725.620 t de resíduos orgânicos urbanos. Se adotarmos como premissa um rendimento do biometano obtido através de lixo orgânico de 400 m3/ton, a cidade poderia produzir no total 290,24 milhões de m3/ano de biometano Coautora: Beatriz de Almeida Alves de Brito* Um dos maiores desafios ambientais dos centros urbanos é a gestão dos resíduos, em particular, a dos resíduos orgânicos. No Brasil, ainda não existe uma política acerca da reciclagem dos resíduos orgânicos, que em geral são levados para aterros sanitários. Entretanto, a deposição de resíduos orgânicos em aterros tem impactos ao meio ambiente importantes, devido à geração de chorume e, principalmente, às emissões fugitivas de metano. Além disso, os aterros sanitários geralmente são afastados das grandes cidades, onde a maior parte do lixo é gerada. O transporte dos resíduos por dezenas de quilômetros contribui para o aumento da pegada de carbono do lixo da cidade. As emissões no transporte se somam às emissões de metano associadas à biodigestão natural dos resíduos. A União Europeia vem atacando essa questão através de uma proposta de economia circular para resíduos orgânicos urbanos, visando diminuir as emissões de carbono das cidades. Para auxiliar no alcance desse objetivo, o Parlamento Europeu aprovou a resolução de 10 de fevereiro de 2021 que trata do novo plano de ação para a implementação da economia circular (European Parliament, 2021). Entre os pontos abordados, estavam as metas de reciclagem, as estratégias de redução de resíduos e a diminuição do uso de plásticos de uso único. A diretiva (UE) 2018/850 sobre aterros sanitários, também foi mencionada no contexto dessa estratégia, pois uma das metas dessa diretiva é reduzir o envio de resíduos orgânicos para aterros a não mais de 10% até 2035. Ao promover essas propostas, a União Europeia está buscando uma melhoria na saúde ambiental e humana, uso sustentável dos recursos naturais além de uma maior eficiência energética. Seguindo nesse mesmo conceito de gestão consciente do lixo urbano, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima propôs, através de uma consulta pública realizada fevereiro e março passados, o “Plano Nacional de Redução e Reciclagem de Resíduos Orgânicos Urbanos” (Planaro)[1]. Ele foi desenvolvido pelo ministério em parceria com o Instituto Pólis, com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e com a Waste and Resources Action Programme (WRAP) (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, 2025). O princípio fundamental do plano é que nenhum resíduo orgânico compostável seja destinado a aterros sanitários ou lixões. Sendo seus principais objetivos a prevenção do desperdício de alimentos, o incentivo à compostagem e a promoção da reciclagem de resíduos orgânicos. Continue lendo esse artigo em: /energia/potencial-do-residuo-organicourbano-para-o-biometano-no-rj

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=