e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 53 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Incertezas e dilema de investimento no mercado de energia O que se desenha como um problema nos próximos anos para as companhias de energia renovável pode encontrar uma solução não só no mercado de capitais internacional como também no brasileiro A literatura keynesiana não apenas se debruçou a estudar as escolhas dos agentes econômicos sob incerteza como se constituiu em grande parte no entorno da natureza desse tipo de decisão. Keynes distingue, em um arcabouço formal estatístico, o risco da incerteza, pelo qual risco é um evento de probabilidade conhecida, portanto mensurável, e incerteza, é a situação futura de probabilidade completamente desconhecida no presente. Ao formar as expectativas, não endógenas aos modelos racionais, os agentes se antecipam ao que na verdade não conhecem, buscando mecanismos de defesa. A frase do George Shackle, economista que se dedicou a estudar escolhas sob incerteza resume o capítulo 12 da Teoria Geral de Keynes, “a incerteza é a causa não causada”. Essa percepção teórica encontra terreno fértil para aplicação na comparação da dinâmica do financiamento do mercado de energia renovável no Brasil com o quadro macro global do setor de petróleo. Internamente, nota-se que o mercado de capitais está mais seletivo para o financiamento de projetos renováveis, sobretudo para projetos de pequenas e médias empresas. Isso se deve à baixa previsibilidade dos fluxos de caixa em função dos curtailments (os cortes na geração de energia promovidos pelo Operador Nacional do Sistema) e ao relativamente elevado número de projetos em andamento na carteira do BNDES como o parque fotovoltaico de Arinos (MG), com capacidade instalada de 505 MW. Como resultado, há excesso de energia gerada no Nordeste que pode ser distribuída para o restante do país, abrindo possibilidade de financiamento de linhas de transmissão, que são, no entanto, de longo prazo. Quando olhamos para o curto prazo, o tom é de cautela, se sobressaindo apenas projetos de grandes empresas cujas receitas não dependem somente do projeto em questão. É por isso que quando observamos a soma das debêntures incentivadas com as de infraestrutura vemos aumento do primeiro semestre de 2024 para o primeiro semestre de 2025: 4,83 bilhões de reais para 6,6 bilhões de reais. Há um aumento de emissões de forma concentrada em grandes grupos e em projetos eólicos e solares. O que se desenha como um problema nos próximos anos para as companhias de energia renovável pode encontrar uma solução não só no mercado de capitais internacional como também no brasileiro. Por uma questão de falta de opção atrativa, o mercado bancário pode suprir em parte a relutância do mercado de capitais para o segmento de renováveis. Continue lendo esse artigo em: / petroleoegas/incertezas-e-dilema-deinvestimento-no-mercado-de-og

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