e-revista Brasil Energia 498

62 Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 GNV fatores como pandemia, adoção do trabalho remoto e aumento do preço do gás contribuíram para a estagnação do consumo de GNV em veículos leves (veja entrevista do gerente técnico da Abegás, Gustavo Galiazzi, na página 68 desta edição). Mas, apesar da tendência, as distribuidoras de gás apostam na reversão desse cenário nos próximos anos. O novo foco do setor é o segmento de veículos pesados – caminhões e ônibus urbanos - graças a uma conjuntura favorável e o empenho das montadoras. A Scania colocou no mercado caminhões movidos a gás natural e/ou biometano já saídos de fábrica com essa configuração. De acordo com Daniel Bandeira, gerente de Vendas de Soluções de Transporte da Scania Operações Comerciais Brasil, desde 2019 a Scania já vendeu mais de 1.500 caminhões da linha a gás no país, sendo mais de 150 para a coleta de resíduos sólidos. Em julho, a montadora entregou três caminhões modelo G 280 XT 4x2 movidos a GNV para a Solurb, concessionária de limpeza de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, onde também está sendo testado um ônibus de transporte urbano movido a gás. A Iveco também segue a tendência e se anuncia como única fabricante a oferecer tecnologia a gás natural em toda a sua linha de veículos leves, médios e pesados. Os planos de investimentos das distribuidoras Para aproveitar o crescimento desse segmento, as distribuidoras de gás fizeram um mapeamento das lacunas no abastecimento entre o Ceará e o Rio Grande do Sul que pudessem impedir a expansão do uso de veículos pesados movidos a gás nas estradas brasileiras. E já planejam novos investimentos na ampliação da infraestrutura de abastecimento. No eixo Norte/Nordeste, a Copergás, que tem o maior mercado de GNV da região – a empresa vendeu 361,1 mil m3/dia para 134 postos - está construindo uma rota de abastecimento contínua que vai ligar Pernambuco de ponta a ponta, integrando-se, em parceria com outras distribuidoras nordestinas, a um corredor sustentável que conectará todo o Nordeste pelo interior. A BR-101 já conta com cobertura, e o próximo passo é consolidar a infraestrutura no eixo interiorano. A Bahiagás, que abastece 93 postos de GNV com média de 291 mil m3/dia de GN, também vem trabalhando na implantação dos “corredores sustentáveis” no estado, principalmente para o abastecimento dos veículos pesados, seja com o GNV ou biometano. A empresa, maior do Nordeste em volume distribuído e terceira do país, vendeu a média de 4,5 milhões de m3/dia até julho. No Rio Grande do Norte, a Potigás, com volume distribuído de 124 mil m3/ dia para 55 postos, trabalha na interiorização do gás e também aposta no segmento de frota pesada. A estratégia envolve tanto a articulação com a rede de postos, quanto a aproximação com empresas locais interessadas na substituição ou compra de caminhões a GNV. Está em discussão no estado a chamada tarifa frotista, que permitirá às empresas dispor de posto de abastecimen-

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