e-revista Brasil Energia 498

Brasil Energia, nº 498, 25 de setembro de 2025 79 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Descomissionamento social na Indústria de Petróleo – Caso Aberdeen O Mar do Norte merece ser referência para reflexão quanto às políticas públicas no Brasil em regiões com potencial declínio. A descontinuidade das receitas de royalties e participações, associada à desmobilização econômica e de empregos, poderá se transformar em tragédia para muitas regiões Dizem que um sapo, quando colocado em uma panela e levado ao fogo, morrerá sem reagir, pois não conseguirá perceber o aumento da temperatura até a fervura: o processo de mudança nem sempre é percebido quando se está inserido no contexto. No início do mês de setembro, estive participando da SPE Offshore Europe, em Aberdeen, Escócia (UK), um dos mais tradicionais eventos da indústria de petróleo na Europa. Ocorre nos anos ímpares em Aberdeen e, nos anos pares, na Noruega, na cidade de Stavanger, também na região petrolífera do Mar do Norte. A primeira vez que participei deste evento foi há cerca de 30 anos e, como já estava há 10 anos sem participar, diferente do sapo, me senti entrando na fervura! O declínio da produção do Mar do Norte, que já produziu 4,4 milhões de barris/dia para algo, atualmente, de 1 milhão de barris/dia, tem criado um sentimento notável no evento, com reflexos já bastante sensíveis no cotidiano da tradicional cidade escocesa, que outrora pulsava como a Silver City by the Sea. O início das atividades de desenvolvimento de petróleo no Mar do Norte remonta ao final da década de 1960 e coincide com nossas descobertas marítimas e o próprio início da Bacia de Campos. A estratégia adotada para o desenvolvimento serviu de exemplo para o mundo pois, tanto do lado do Reino Unido (UK) como também pela parte norueguesa, o conceito de “conteúdo local” se consolidou fortemente como política pública. No Reino Unido, a criação do OSO (Offshore Supplier Office’s) promoveu medidas contundentes que desenvolveram fortemente a indústria local nas últimas décadas, como bem apresentado no excelente livro de Jeremy Cresswell, ABZ and Big Oil - 50 Years of Black Gold of Silver City. Na mesma linha, a Noruega adotou medidas importantes que levaram à criação de empresas globais, como a própria Aker Kværner, que derivou do segmento pesqueiro. Seu fundador, Inge Rokke, até hoje gosta de ser chamado de “fisherman”. Já o fundo soberano norueguês elevou o país a um outro patamar econômico. Mas voltando ao presente: o fato que ficou evidente é que o modelo de transição energética ali adotado não foi de resultado todo positivo; ou seja, não foi plena a transição social e econômica, em especial para as populações e empresas locais que cresceram em função da indústria do petróleo e que hoje, em grande parte, perderam seu horizonte. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/descomissionamento-socialna-industria-de-petroleo-caso-aberdeen

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