e-revista Brasil Energia 499

Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 29 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Braskem: janela de ‘trade’ histórico ou excesso de risco para a Petrobras? O CA apresentou três possibilidades aos diretores da empresa. Uma pronta injeção de capital ainda com a Novonor como coproprietária; ou a injeção de capital condicionada à venda da participação da Novonor; ou aguardar a venda da fatia da Novonor antes de aumentar a atuação da estatal Esta coluna já tratou há algum tempo dos interesses da Petrobras em assumir maior protagonismo no mercado petroquímico por meio do aumento de participação no capital da Braskem ou via mudança na composição societária. Esse quadro levou a estatal a monitorar com atenção todas as estratégias da petroquímica. E essas estratégias se alteraram substancialmente nos últimos meses, a começar pela dificuldade da Novonor em vender sua fatia na empresa. Foram tentadas negociações com Adnoc, Unipar e mais recentemente com Nelson Tanure, todas malsucedidas. Atualmente, a Petrobras detém 47% das ações ordinárias e 36% do capital total, enquanto a Novonor possui 50% das ordinárias e 38% do capital total. A situação da Braskem se agravou com o ciclo adverso no mercado global, que vê o excesso de oferta de produtos na cadeia petroquímica derrubando sensivelmente os preços de mercado. A esse cenário se impõe a necessidade de reserva de caixa na monta de 3,5 bilhões de dólares para pagamento de multas relacionadas ao desastre ambiental de Maceió e a própria dificuldade de caixa da Novonor em realizar novos investimentos. Conforme a dívida aumentava e o caixa era drenado, os investidores iniciaram movimento de cautela temendo não receber por títulos de dívida externa emitidos em dólares em 2020, os BRKM5. O movimento no mercado fez o valor do papel cair de 9 dólares para 50 centavos de dólar em um único dia na última semana do mês passado. A gota d’água para a venda em massa foi o anúncio por parte da Braskem de que contrataria uma consultoria para reequilibrar suas finanças, o que gerou temores de algum tipo de reestruturação de dívida. Os rendimentos dos títulos em dólares com vencimento em 2030 subiram 33%, um reflexo de que os agentes estavam exigindo maiores retornos para assumirem um papel com elevado risco de crédito. Os vencimentos de 2081 caiam 81% no preço do papel, colocando seus detentores em último lugar em possível reorganização de dívida. Entre os próximos passos estão a tentativa de renovação de linhas de crédito que vencem na virada do ano e a assunção de novos empréstimos tendo ativos da empresa como garantia, ativos esses que valem cada vez menos diante da crise no mercado global petroquímico. O Conselho da Petrobras apresentou aos diretores três possibilidades. A primeira seria uma pronta injeção de capital ainda com a Novonor como coproprietária. Seria um aporte menor, de curtíssimo prazo para preservar o caixa da empresa, sem grandes impactos no balanço da estatal, mas com maiores dúvidas em relação à mudança da governança. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/braskem-janela-de-tradehistorico-ou-excesso-de-risco-para-apetrobras

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