32 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 entrevista Pablo Campana Como comercializadora, quais os planos da Gas Bridge, depois de mais uma operação teste de importação de gás ao Brasil? A Gás Bridge Comercializadora é uma subsidiária integral da Pluspetrol, adquirida em dezembro de 2023 com o objetivo principal de entrar no mercado brasileiro, conhecê-lo e, majoritariamente, servir de ponte para o gás da Pluspetrol na Argentina. Embora tenhamos realizado operações com gás brasileiro e boliviano para construir know-how, o foco principal é estruturar a logística e o comercial para trazer o gás de Vaca Muerta. O teste mais recente, em outubro, envolveu gás da Pluspetrol e da Petrobras Argentina (Posa). Poderia dar detalhes dessa operação em termos de logística? A operação foi estruturada com a Gás Bridge comprando o gás dos produtores, Pluspetrol e POSA, com entrega na fronteira Argentina-Bolívia. A Gás Bridge assumiu, então, a logística na Bolívia e entregou o gás já nacionalizado em Corumbá, no Brasil, à Petrobras. Esse teste confirmou a viabilidade técnica e comercial de conectar o gás de Neuquén ao Brasil via Bolívia, utilizando a capacidade ociosa atual. Desde então continuamos importando regularmente gás da Argentina para vários clientes no Brasil. Um dos maiores desafios apontados nessas operações logísticas é a compatibilização dos três sistemas de transporte. O que foi mais complexo nesse processo? O gás transportado por dutos exige nominação e confirmação de volume, na véspera do despacho, e essa coordenação é um grande desafio quando envolve os três países. Temos três marcos regulatórios com dias operacionais diferentes. Argentina e Bolívia têm dias que começam em horários distintos e no Brasil o dia operacional começa à meia-noite. Além disso, os horários de fechamento para nomeação e confirmação de transporte não coincidem. Quando recebemos a confirmação do transportador argentino, já é tarde para a nomeação na Bolívia e no Brasil. No curto prazo, as empresas se acomodam a essas diferenças, mas para um suprimento firme de longo prazo, será necessária uma harmonização parcial dos modelos regulatórios e operacionais entre os governos. O teste foi feito sob a modalidade interruptível. O que é preciso ainda fazer na direção de contratos firmes de longo prazo? A migração para contratos firmes depende de duas questões centrais. Primeiro, capacidade de transporte firme. Isso exige investimentos de expansão na Argentina, tanto nos gasodutos existentes como em novos gasodutos, e precisa ser justificado pela demanda. Segundo, a possibilidade de ter contratos de transporte e venda de gás firmes de longo prazo que permitam financiar as obras de expansão de gasodutos. Contratos firmes exigem garantias de fornecimento e escoamento e isso está diretamente ligado à garantia de capacidade física.
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