e-revista Brasil Energia 499

34 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 entrevista Pablo Campana O Plano Gás.Ar estabelece um preço mínimo para a exportação do gás argentino. Por que esse preço mínimo é um gargalo para a competitividade do gás de Vaca Muerta no Brasil? É um gargalo porque a regulação argentina estabelece que os produtores não podem vender a um preço da molécula inferior a esse piso, atualmente na faixa de 5,5% a 6,5% do Brent, dependendo se o contrato é firme ou interruptível. Isso é uma limitação que distorce o sinal natural do mercado. Pode haver momentos em que o produtor estaria disposto a vender a um preço menor, pois seu custo de oportunidade e seu break even são mais baixos, mas a regulação impede. Temos que conviver com essa limitação até dezembro de 2028, que é o prazo final anunciado pela Secretaria de Energia da Argentina. A boa notícia é que, além do preço mínimo reduzir a partir de janeiro de 2026, teremos uma janela para solicitar exportação de gás firme de Argentina, conforme permissão recente da Secretaria de Energia. As permissões são mês a mês, então as quantidades trocam a cada mês, mas para outubro deste ano a quantidade é de pouco mais de 1 milhão de m3 e, para novembro, 2 milhões. Já é possível estimar, com base nas importações teste realizadas, qual a tarifa competitiva para um suprimento firme e de longo prazo ao Brasil? O preço final é confidencial e dinâmico, muda dependendo das condições de mercado, mas o objetivo é que o gás de Vaca Muerta seja competitivo com o GNL e outras fontes no Brasil. Em um cenário de longo prazo, com volumes que otimizam o aproveitamento da capacidade de transporte e investimento em nova infraestrutura com fator de escala (que diminuiria os custos unitários de transporte), o gás por duto é, em geral, mais competitivo que o GNL para o fornecimento de base (industrial, residencial, GNV). No entanto, o custo de transporte é um desafio. As tarifas atuais na Bolívia e no Brasil são elevadas. Para que o projeto seja sustentável, deve haver uma racionalidade entre todos os players - produtores, transportadores e goverO objetivo é trazer o gás de Vaca Muerta a um preço competitivo com o GNL e outras fontes no Brasil

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