e-revista Brasil Energia 499

Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 63 José Almeida dos Santos José Almeida dos Santos, geólogo-UFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia mensalmente. Descomissionamento, desafios e oportunidades Como remover de forma sustentável todas as instalações de produção, perfuração e escoamento utilizadas na produção de petróleo? Os custos envolvidos podem passar dos trilhões de dólares! Coautores: Normando Lins e Bruno Leonel O mundo já produziu mais de 1,5 trilhões de barris de petróleo e 170 trilhões de m3 de gás, tendo a maior parte dessas produções vindo de bacias terrestres. A primeira unidade de perfuração no mar foi construída para operar no Golfo do México, pela Zapata Oil Company, em águas rasas, e iniciou as operações em 1956. Dados de 2023 indicam que aproximadamente 70% da produção mundial de petróleo ainda vem de bacias terrestres, sendo o restante oriundo de campos marítimos de diferentes profundidades e lâminas d’água. Quase todos os oceanos já têm unidades de produção de petróleo, em sua grande maioria no Oceano Atlântico (Brasil e África), Golfo do México e Mar do Norte, notadamente na Noruega e Reino Unido, e, mais recentemente, no Leste Africano, em campos de gás. De acordo com a Wikipedia, o mundo tem em torno de 25.000 campos de petróleo (óleo e gás) ativos, de todos os tamanhos. Outras fontes indicam um número bem maior, de 40.000 campos, sem especificar quantos ainda estão ativos. Independente do total ainda ativo, 94% dos volumes de petróleo estão concentrados em apenas 1.500 campos, médios e gigantes, de óleo ou gás. A maioria dos campos gigantes estão concentrados no Oriente Médio, mas há campos também com volumes superiores a 10 bilhões de barris em reservas localizados no Brasil, México, Venezuela, Cazaquistão e Rússia. Ha indicações de que o mundo já perfurou em terra e no mar bem mais que 5 milhões de poços dedicados a petróleo, seja de exploração, de produção, de injeção e outros. A maioria deles nos Estados Unidos, onde há registros de mais de 4 milhões de poços já perfurados, grande parte de poços horizontais dedicados à produção de shale gas e tight oil. Juntamente com os poços, existe toda uma infraestrutura para ser desmobiliada no final da vida desses campos. O primeiro gráfico neste artigo mostra a evolução da perfuração nos Estados Unidos desde o início das atividades. Observam-se picos de perfurações, principalmente em épocas de maior crise do petróleo. Grande parte dos poços mais recentes são horizontais em reservatórios não convencionais, onde o descomissionamento é mais complexo e exige custos mais elevados. Por outro lado, houve uma redução do número de poços verticais perfurados. Além dos Estados Unidos, a Rússia também tem uma quantidade grande de poços perfurados e, de acordo com o gráfico a seguir, ainda há mais de 200 mil poços ativos de óleo e gás. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/descomissionamentodesafios-e-oportunidades

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