e-revista Brasil Energia 499

70 Brasil Energia, nº 499, 27 de outubro de 2025 segurança energética maior complexidade operacional proporcionada pela expansão das fontes eólica e solar. À Brasil Energia, o CEO da Thymos, João Carlos Mello, lembrou que a recontratação das termelétricas vem sendo adiada desde 2021, quando foi realizado o primeiro LRCap. No certame, foram contratados 4.632 MW de potência disponível em projetos de usinas termelétricas para início de fornecimento em julho de 2026. Levantamento da consultoria aponta que as termelétricas em contratos com expiração prevista até 2028 somam 14.219 MW. “Estamos vivendo um problema real de segurança energética”, disse Mello, para quem é um indicador desta situação a recomendação do CMSE, feita em maio, para a antecipação do início do suprimento das termelétricas contratadas no LRCAP 2021. Ao anunciar em abril a suspensão do LRCap 2025, o MME anunciou que a medida foi consequência de disputa judicial travada entre grupos envolvidos no certame. Estavam cadastrados para participação no leilão 327 projetos de geração, somando mais de 74 MW de capacidade total, segundo a EPE. Desse total, 67% eram projetos de termelétricas novas, 30% de existentes e 3% de ampliações de hidrelétricas. SCGás tem sete negociações interrompidas O cancelamento foi um balde de água fria nas negociações que a SCGas, distribuidora de gás catarinense, vinha tocando desde o início do ano com empreendedores interessados em implantar usinas a gás no estado. As termelétricas, se saíssem vencedoras do certame, poderiam mais que quadruplicar a atual demanda por GN junto à distribuidora. Rafael Nicollazzi, gerente Comercial, Industrial e Veicular da SCGás, informou que no início do ano a companhia foi procurada por empresas responsáveis por dez projetos de térmicas a gás, interessadas em se cadastrar no LRCap 2025. Os projetos representariam um incremento da oferta de potência ao estado de 1.100 MW. Para a SCGás, esses projetos de termelétricas representariam uma demanda por 7,5 MM m3/dia de GN, inaugurando o segmento de termelétricas entre os clientes das distribuidoras. Atualmente, a companhia distribui 1,6 MM m3/dia. Com o cancelamento do leilão, as negociações foram interrompidas. Com a confirmação de realização do LRCap 2026, os empreendedores de dois dos projetos voltaram à mesa de negociações. Juntos, os projetos somam 193 MW de potência instalada e poderão consumir 1,3 milhão de m3/dia, caso conquistem a contratação de energia no certame. A Região Sul não é autossuficiente em suprimento energético e projetos termelétricos são alternativas para mitigar riscos no suprimento, especialmente em decorrência dos efeitos das mudanças climáticas. Santa Catarina conta com 5.096 MW de potência instalada, dos quais 2.758 MW são de 12 hidrelétricas (54,1% da capacidade total). Da matriz catarinense, 1.119 MW são gerados por 125 hidrelétricas (21,9%), 678,6 MW são de 61 PCHs (13,3%), 265,8 MW vem de 192 CGHs (5,2%), 250,5 MW

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