e-revista Brasil Energia 500

100 Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 Mariana Mattos é professora titular da Escola de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena o Laboratório de Tecnologia do Hidrogênio (LabTecH). Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Mariana Mattos Desafios no cenário global de H2 A coordenação entre os setores de produção, infraestrutura e uso final é crucial para o desenvolvimento do mercado. E medidas de apoio, como garantias de empréstimos e subsídios, contribuem para reduzir o risco de investimento e a diferença de custos O relatório Global Hydrogen Review 2025 da Agência Internacional de Energia (IEA), publicado em outubro, analisa a demanda, produção e políticas relacionadas ao hidrogênio, com foco nos desafios enfrentados e recomendações para superá-los. Apesar do recente pessimismo em relação ao setor, marcado por atrasos, cancelamentos de projetos, revisões negativas de metas e dificuldades empresariais, a análise da IEA mostra que a indústria está avançando, embora mais lentamente do que as expectativas iniciais superestimadas sugeriam. A demanda global de hidrogênio atingiu quase 100 milhões de toneladas (Mt) em 2024, um aumento de cerca de 2% em relação a 2023, com crescimento impulsionado por setores industriais tradicionais (principalmente refino de petróleo e produção de amônia). A produção de hidrogênio de baixo carbono cresceu 10% em 2024, basicamente oriunda de eletrólise, e deve atingir 1 Mt em 2025, um crescimento de mais de 60% desde 2021. As perspectivas de curto prazo para o setor são positivas: com base apenas em projetos que estão operacionais, já alcançaram a decisão final de investimento ou estão em construção, a produção de hidrogênio de baixo carbono deverá quintuplicar em apenas seis anos (de 0,8 Mt em 2024 para 4,2 Mt em 2030). Considerando o total de projetos já anunciados, a produção de hidrogênio de baixo carbono pode chegar a 37 Mt em 2030. Embora isso esteja muito aquém das ambições anunciadas no início da década de 2020, demonstra um crescimento impressionante para um setor nascente. A China é atualmente a líder global em hidrogênio de baixo carbono, sendo que o país concentra cerca de 60% da capacidade mundial de fabricação de eletrolisadores e já possui mais da metade da capacidade instalada global. De 2022 a 2024, respondeu por dois terços dos projetos que chegaram à decisão final de investimento. A China produz hidrogênio eletrolítico 40– 45% mais barato do que a Europa e os Estados Unidos, graças à eletricidade mais barata, custos de investimento menores e custo de capital reduzido para energias renováveis. Além disso, a China é o maior mercado de hidrogênio do planeta, representando quase um terço da demanda global. Essa liderança é reforçada pela forte cadeia de suprimentos, empresas experientes vindas do setor de renováveis e políticas governamentais que promovem rapidamente a adoção de eletrolisadores, num movimento semelhante ao observado no setor de energia fotovoltaica e de baterias. Continue lendo esse artigo em: /energia/panorama-e-desafios-nocenario-global-de-h2-segundo-a-iea

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