e-revista Brasil Energia 500

Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 109 Marcus D´Elia é sócio-diretor da Leggio Consultoria, especializada em petróleo, gás e energia renovável. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Marcus D’Elia O transporte rodoviário após a COP30 O planejamento nacional não explora a diversificação de tecnologias, com metas que poderiam impulsionar o investimento em novos tipos de motorização no país, favorecendo o desenvolvimento da indústria automotiva nacional Os resultados da COP30 reforçaram a percepção de que a transição energética no transporte perde força na agenda de países nos diversos continentes. A realidade do atingimento de metas na União Europeia, assim como a consolidada visão americana sobre a mudança climática, se reflete no desafio para cumprimento das metas e implementação de ações previstas para redução do aquecimento global. No lado brasileiro, temos uma política energética que avança na adoção de biocombustíveis, visando a descarbonização. A legislação atual determina os percentuais de mistura, independente de metas específicas de redução de emissões para o transporte. Na COP30, havia a expectativa de que se iniciasse o processo de discussão para geração de acordos com metas globais para transição energética de combustíveis, direcionando a velocidade de descarbonização da matriz de transportes em nível global, o chamado “Mapa do Caminho para Transição de Combustíveis Fósseis”. Com o término das negociações, fica clara a ausência de consenso mesmo para a possibilidade de discussão de um plano de transição. Na prática, a mensagem da COP30 é de que as iniciativas de transição energética serão individualizadas por país. Portanto, a avaliação de metas e impactos econômicos será decidida de acordo com fatores locais e sua velocidade de implementação dependerá do contexto político de cada país ao longo dos anos. O resultado da COP30 evidencia a fragmentação das iniciativas para descarbonização dos transportes. Na ausência de diretrizes globais, passa a ser relevante uma avaliação da situação atual das metas de emissões de CO2 em regiões que são referência para a política energética brasileira: Europa e EUA. A União Europeia busca a neutralidade de emissões de CO2 no transporte rodoviário para veículos leves até 2050 e uma redução de 90% para veículos pesados até 2040 em relação ao ano de referência de 1990, mas a substituição de combustíveis fósseis tem sido lenta, mesmo com o foco na eletrificação da frota leve e o desenvolvimento de motorizações alternativas para veículos pesados. Os dados de 2023 da European Environment Agency mostram que as emissões de GEE geradas no transporte rodoviário foram reduzidas em 4,8% em relação ao ano de referência de 2005. Apesar da forte redução nas emissões de novos veículos leves, caindo de 162 g CO2/ km em 2005 para 106,4 g CO2/km em 2023, estes ganhos não compensaram substancialmente as emissões de veículos pesados. Os resultados atuais estão distantes das metas previstas em valores absolutos de emissões. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/transicao-energetica-notransporte-rodoviario-apos-a-cop30

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