Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 111 Ieda Gomes é consultora independente e membro do conselho de administração de empresas internacionais de energia, infraestrutura e certificação. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Ieda Gomes A competitividade do Biogás e Biometano Para que o biogás e o biometano se consolidem é necessário um mix de medidas, como estímulos ao aumento de escala, valoração de atributos ambientais, regulação permitindo a conexão e venda nos diferentes mercados de gás e instrumentos financeiros e tributários. O biogás e o biometano vêm ganhando relevância no Brasil, como alternativas renováveis para geração de energia elétrica, térmica e combustível veicular, aproveitando resíduos da agropecuária, indústria, saneamento e aterros. O CIBiogas aponta 1.633 plantas de biogás cadastradas em 2024, a maioria em operação, com crescimento anual expressivo no número de unidades. Em termos de volumes, a EPE - Empresa de Pesquisa Energética também reporta que a contribuição do biogás, para a oferta interna de energia, atingiu quase 1 BCM em 2024. A produção de biometano tem evoluído mais lentamente. Em 2024 havia dezenas de plantas de biometano em operação, com centenas de iniciativas em fases variadas, devido a custos mais altos de investimentos e logistica de distribuição. No plano regulatório, a Lei nº 14.134/2021 (Combustível do Futuro) e seu decreto de implementação deram tratamento regulatório a gases intercambiáveis com o gás natural, abrindo caminho para regras técnicas e de acesso. A ANP e outros órgãos publicaram resoluções técnicas (especificações do biometano, critérios de certificação) e, mais recentemente, houve movimentação sobre programas e decretos que tratam do incentivo ao biometano e de certificados de origem, como iniciativas previstas na legislação sobre combustíveis do futuro e no RenovaBio (e suas atualizações). Esses instrumentos buscam reconhecer atributos ambientais e viabilizar receitas adicionais para produtores. Apesar do avanço, existem desafios claros. A competitividade de preços é um ponto crítico: custos de acondicionamento, purificação (para biometano), compressão/odorização e transporte até pontos de consumo ou de injeção em gasodutos elevam o custo final; isso torna necessário combinar ganhos ambientais (ex.: créditos de carbono, CGOB/certificados de origem) com políticas tarifárias ou financiamentos que internalizem o valor do baixo carbono. Estudos de mercado também mostram que a produção atual explora uma fração pequena do potencial técnico do país - o aproveitamento econômico ainda é limitado por barreiras logísticas e de escala. Em 2024, um consórcio de sete entidades, lideradas pela Fiesp, contratou um estudo sobre a oferta, demanda, logística e medidas prioritárias para desenvolvimento do biometano no Estado de São Paulo. O estudo constatou uma demanda de curto prazo de 2,1 BCM/ano e uma oferta tecnicamente viável de 2,3 BCM/ano. Para atendimento dessa demanda, seria necessário construir 2,9 mil Km de gasodutos e redes de distribuição, com investimentos de cerca de USD 550 milhões. O estudo apontou custos de produção de USD 9,10-13,70/MMBTU, ou USD 15,1028,3/MMBTU, se incluídos impostos e logística. Continue lendo esse artigo em: petroleoegas/competitividade-do-biogas-ebiometano-nos-mercados-de-gas
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=