Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 41 Wagner Victer é engenheiro, administrador, ex-secretário de Estado de Energia, Indústria Naval e do Petróleo, e ex conselheiro do CNPE. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Wagner Victer Energia, tecnologias, segurança e geopolítica Diversos temas se entrelaçam e ganharão muita atenção nos próximos anos daqueles que trabalham e estudam as estratégias do tema Energia no Brasil e no Mundo Nas últimas décadas, o tema Energia tem recebido crescente atenção, não apenas por sua relevância estratégica diante de conflitos geopolíticos, mas também por sua relação direta com os efeitos climáticos adversos e pela multiplicidade de fontes, soluções, aplicações e até impactos sociais. As discussões sobre energia ultrapassam o âmbito das empresas do setor e alcançam o planejamento de carreiras profissionais, além de políticas públicas, por influenciar profundamente a dinâmica econômica de países e regiões. Um exemplo recente é a nova onda de construção de data centers impulsionada pelo uso crescente de soluções e ferramentas digitais. Um estudo relevante que vale ser lido aponta que novas tendências é 10 Energy Megatrends 2025, produzido pelo MIT Technology Review em parceria com o Energy Summit, que apresenta desafios, oportunidades e ações estratégicas para a transição energética. Segundo o estudo, o setor de energia ingressa em uma das décadas mais decisivas de sua história, especialmente em função da expansão dos data centers e da sua infraestrutura associada, que está demandando grandes investimentos na disponibilização de energia, nas redes de transmissão e em soluções de resfriamento mais eficazes. Outro aspecto emergente é a chamada Ciber-Resiliência Energética, que consiste na capacidade de sistemas industriais e residenciais resistirem, responderem e se recuperarem de ataques digitais. Esse desafio cresce com o aumento do número de dispositivos conectados e com a convergência entre TI (Tecnologia da Informação) e TO (Tecnologia Operacional), ampliando a superfície de ataque e elevando muito o risco de interrupções. Outra tendência, já consolidada, em especial na Europa, é o avanço dos veículos elétricos híbridos (HEV). Na primeira metade de 2025, grande parte dos veículos vendidos na União Europeia já adotava essa tecnologia, que combina motor a combustão com tração elétrica para reduzir consumo e emissões sem depender da recarga convencional por tomada. Em outra vertente, ganha força o uso de biometano e biogás, diante do grande potencial ainda pouco explorado em resíduos sólidos urbanos (RSU), resíduos agropecuários e florestais, que possuem significativa capacidade de redução de emissões de gases do efeito estufa. Destacam-se também as Usinas Virtuais de Energia (VPPs), que conectam milhares de pequenos recursos, como baterias residenciais, painéis solares, veículos elétricos, entre outros, operando-os como se fossem uma única usina. Nesse contexto, surgem ainda as Deeptechs em Transição Energética, que deverão contribuir significativamente para a redução das emissões até 2050. São soluções que ainda se encontram em fase de testes, tipo protótipos ou projetos-piloto, muitas delas ainda em desenvolvimento mas que surgirão. Continue lendo esse artigo em: /energia/energia-novas-tecnologiasseguranca-e-a-geopolitica
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