46 Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 Marcelo Souza de Castro, graduado em Engenharia Mecatrônica e doutor em Engenharia Mecânica, é diretor do Cepetro, da Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Marcelo Castro Deeptechs no Setor de Óleo e Gás O empreendedorismo de base tecnológica enfrenta desafios, além das inovações. Barreiras existem como a formação empreendedora, captação de recursos, dinâmica de mercado e a necessidade de internacionalização Empreendimentos deeptechs no setor de Óleo e Gás e Transição Energética ainda são incipientes. Entre as principais dificuldades, por incrível que pareça, não está a própria pesquisa em si, mas sim lacunas na formação de gestão e liderança entre empreendedores de perfil técnico, até a complexa dinâmica de um mercado altamente concentrado. A superação dos gargalos de financiamento, a rigidez das regras contratuais e jurídicas e a imperativa necessidade de internacionalização constituem, em conjunto, o oceano de desafios que as deeptechs precisam navegar para se estabelecerem e prosperarem no cenário global. Formação e Gestão Empreendedora Uma dificuldade central reside na lacuna de gestão e liderança entre os empreendedores que possuem forte formação técnica ou científica. Muitos cientistas e técnicos, apesar do domínio tecnológico, enfrentam obstáculos na aquisição de conhecimentos aprofundados em gestão, governança e liderança, competências cruciais para o sucesso empresarial. A simples tentativa de transformar técnicos em gestores eficazes nem sempre é bem-sucedida, o que pode comprometer a empresa. No caso nacional, pela cultura do emprego estável, até pelas infinitas crises econômicas e sociais, a educação empreendedora ainda é pouco difundida, mas esta deve ser vista como uma jornada de autoconhecimento que deve estimular o potencial empreendedor. Essa formação precisa ir além da teoria, incorporando exercícios práticos que permitam aos alunos vivenciar a tomada de risco, a execução prática de ideias e o enfrentamento de desafios reais, desenvolvendo resiliência e capacidade prática. O perfil do empreendedor de sucesso é um tomador de risco, com uma obsessão pelo negócio, autopropelido (hands-on 24/7) e com uma visão firme que mantém a convicção, mesmo diante de opiniões contrárias. Para mitigar riscos, equipes de sucesso frequentemente apresentam perfis complementares, como, por exemplo, um líder técnico, um especialista em vendas/negócios e um desenvolvedor de tecnologia. É vital que a metodologia de apoio ao empreendedorismo priorize a praticidade e tenha uma comunicação clara, agradável e atrativa para facilitar sua adoção e replicabilidade fora do ambiente acadêmico. Financiamento e Sobrevivência A captação de recursos financeiros de suporte inicial é um gargalo significativo, apesar de alguns programas como o Pipe-Fapesp. O financiamento no Brasil é predominantemente público, o que sinaliza uma clara necessidade de ampliar a atuação do capital privado, envolvendo fundos de investimento e empresas. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/deeptechs-no-setor-deoleo-e-gas-e-transicao-energetica
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