80 Brasil Energia, nº 500, 11 de dezembro de 2025 entrevista Gabriel Freire Recentemente, o Grupo Azevedo & Travassos fez uma cisão, listando duas empresas em bolsa, com a entrada de novos investidores, incluindo a Reag. Qual a situação hoje? Em 2024, a Azevedo & Travassos negociou com a Reag Investimentos o ingresso deles como acionista de referência no grupo. O objetivo era permitir a capitalização para que a empresa pudesse enfrentar investimentos no setor de concessões. Essa negociação previa uma cisão prévia do grupo com a saída da Azevedo & Travassos Energia, que representa a atividade de operação de campos maduros de óleo e gás. Com isso, a Reag ingressaria somente no segmento de engenharia, com o objetivo de fomentar a atividade de concessões. A cisão foi aprovada pelos acionistas em 2024 e a cisão aconteceu efetivamente em fevereiro de 2025. Daí, nasceram duas companhias separadas, ambas listadas. Mas, no final de agosto deste ano, a Reag foi alvo de uma operação de busca e apreensão na operação Carbono Oculto. Embora a Reag não tenha nenhuma pessoa envolvida na operação ou na investigação, a própria busca e apreensão terminou causando uma crise reputacional muito grande e isso levou a uma crise de liquidez na Reag. Isso terminou refletindo na Azevedo & Travassos. Quais foram esses reflexos? O primeiro deles foi que a Reag nos procurou e argumentou que o investimento assumido, de cerca de R$ 1 bilhão, não poderia ser implementado. Era preciso buscar outras fontes de financiamento. O segundo aspecto é que os clientes da Azevedo & Travassos começaram a questionar a estrutura de controle da companhia, sobre quem era o fundo Camaçari, que representava a Reag dentro do grupo. Para evitar qualquer risco de contaminação, eu propus à Reag a recompra do controle. (Antes) Eu tinha assumido o controle da companhia por meio de um veículo cem por cento meu, chamado Nemesis Brasil Participações S/A, em 2020. Fui o controlador até outubro de 2024. Então, (em 2025) eu propus comprar as ações da Reag de volta, pelo valor de mercado delas, e, por meio dessa aquisição, terminei consolidando novamente o controle da companhia. Isso terminou viabilizando o ingresso de novos investidores, entre eles a Jive Mauá, com a qual fechamos uma parceria para financiar investimentos de R$ 454 milhões. Os valores envolvidos são mais do que suficientes para que a gente consiga endereçar o plano de investimento antes aprovado. Foi fácil conseguir investidores? Não tem sido fácil, principalmente por conta do problema dos juros reais. A gente tem hoje juros que desestimulam qualquer tipo de investimento na economia real, mas os projetos são muito bons, com bastante fôlego. A Petrobras tem um papel relevante nesse ecossistema. Ela terminou entendendo o lado do empreiteiro para permitir que fossem feitos contratos mais dinâmicos e viáveis efetivamente. A gente está num ciclo virtuoso de investimento de infraestrutura como um todo e isso termina chamando a atenção dos investidores, o que compensa um pouco o problema da taxa de juros.
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