Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 23 O ano de 2026 será crítico para o projeto Raia, afirmou Fabricio Aquino, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Equinor, em entrevista à Brasil Energia. “Temos a previsão de ter o primeiro gás em 2028, ou seja, são dois anos. Em termos de desenvolvimento de um campo desse porte, com essa profundidade, é um tempo muito curto. Desta forma, 2026 é um ano crítico para que avancemos e não tenhamos qualquer tipo de problema”, explicou o diretor. De acordo com Aquino, o FPSO Raia está em fase avançada das instalações do topside. “Estamos planejando o sail away da unidade para o Brasil. Depois disso, teremos o comissionamento”, afirmou. O FPSO Raia, que está sendo construído pela Modec, terá capacidade para processar 126 mil bpd de petróleo e 16 milhões de m3/dia de gás associado. A plataforma será capaz de tratar o óleo/condensado e especificar o gás produzido. O gás especificado para venda será escoado por meio de um gasoduto offshore de 200 km, saindo do FPSO em direção ao Terminal de Cabiúnas (Tecab), na cidade de Macaé (RJ). Já os líquidos serão descarregados por meio de navios aliviadores. A Equinor concluiu, em setembro de 2025, a instalação do trecho de 15 km de águas rasas do gasoduto Raia. “Agora, a equipe está instalando o trecho terrestre do gasoduto, de cerca de 4 km, que vai até o Tecab. Falta, ainda, o trecho de águas profundas do duto, que vai ser instalado ainda em 2026”, informou Fabricio. Em outubro, a companhia concluiu a instalação da fundação do PLEM (sigla em inglês para Pipeline End Manifold) do projeto Raia. Pesando 165 toneladas, a estrutura instalada é a mais profunda de todo o projeto e servirá como base para o PLEM que, por sua vez, tem como função conectar os risers ao gasoduto que transportará o gás do FPSO até a costa. Em janeiro, a ANP aprovou o Plano de Desenvolvimento (PD) do campo de Raia. A agência reguladora recusou o pedido da Equinor para a divisão da área em dois campos – Raia Manta e Raia Pintada, conforme apresentado inicialmente –, mantendo a decisão de unificação sancionada pela diretoria no ano passado. A Equinor opera o projeto Raia com 35% de participação, em parceria com a Repsol Sinopec (35%) e a Petrobras (30%). O projeto contempla três descobertas encontradas no bloco BM-C-33 (Pão de Açúcar, Gávea e Seat), no pré-sal da Bacia de Campos, que contêm reservas recuperáveis de gás natural e óleo/condensado superiores a 1 bilhão de boe. A decisão final de investimento (FID) do projeto, avaliada em US$ 9 bilhões, foi tomada pelo consórcio em maio de 2023. A Equinor quer utilizar o conhecimento adquirido com o desenvolvimento do projeto Raia para, então, traçar um plano de exploração para Itaimbezinho, área recém-adquirida pela empresa.
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