e-revista Brasil Energia 501

Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 35 trica, monitorando emissões ao longo de três anos. O estudo confirmou que as emissões associadas ao empreendimento estão entre as mais baixas já observadas em hidrelétricas de grande porte. Para aumentar a precisão das estimativas de valores globais do projeto como um todo, os pesquisadores aplicaram o Método de Monte Carlo, que permite simular milhares de combinações possíveis e reduzir incertezas, oferecendo um retrato mais robusto das emissões reais do reservatório. Os resultados demonstram que, em termos de intensidade energética, Belo Monte apresentava um fator de emissão de 1,79 gCO2e/kWh pelo cálculo analítico tradicional e aplicando o método Monte Carlo o fator de emissão foi de 1,20 gCO2e/kWh. “O objetivo do estudo foi aumentar a precisão da estimativa de emissão de GEE global do reservatório de Belo Monte a partir da utilização da análise de todos os valores possíveis e de qualidade que o Método de Monte Carlos propicia”, explica Pavani. Comparação com outras fontes A análise dos resultados, quando relacionada à energia efetivamente gerada, mostra que Belo Monte apresenta um fator de emissão de apenas 1,2 gCO2e por kWh, índice inferior ao de outras fontes renováveis, como a solar, que varia entre 5 e 20 gCO2e/kWh, e a eólica, entre 2 e 12 gCO2e/kWh. O desempenho também se destaca quando comparado a fontes fósseis: usinas a carvão chegam a emitir cerca de 930 gCO2e/kWh, enquanto usinas a gás natural apresentam aproximadamente 412 gCO2e/ kWh, segundo dados do IPCC (2014). “As hidrelétricas costumam ser estigmatizadas, mas Belo Monte é um projeto de alta eficiência e baixas emissões. É uma usina com reservatório pequeno e capacidade gigantesca de geração. Quando se compara a emissão de gases com a energia produzida, fica evidente o quanto esse projeto é positivo sob as óticas energética e ambiental”, afirma Marco Aurélio Santos, coordenador da pesquisa da Coppe e professor orientador da tese de Pavani. O estudo também rebate trabalhos anteriores que superestimaram as emissões da usina por não considerarem as remoções naturais de gases nem o cenário anterior ao enchimento do reservatório, aspectos essenciais para uma análise completa do ciclo do carbono. O recente trabalho se baseia em medições mais amplas e metodologia aprimorada. Desde 2019, a UHE evitou a emissão de 84,4 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, quando comparada às emissões de uma usina termelétrica a gás, no mesmo período. Isso acontece porque, enquanto Belo Monte está gerando energia renovável para o Brasil, diminui a necessidade do acionamento de outras fontes de energia poluentes e mais caras para a população, principalmente em momentos de pico de consumo nacional. O cálculo considera a geração de Belo Monte até setembro de 2025 e foi feito com base no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), maior autoridade mundial sobre aquecimento global. Somente em 2025 foram evitadas 12 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera, o que equivale a uma estimativa de 1,3 milhão de carros a menos nas ruas por dia. n

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