e-revista Brasil Energia 501

38 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 Rubem Cesar Souza é engenheiro elétrico, mestre em Engenharia Mecânica, doutor e pós-doutor em Planejamento de Sistemas Energéticos, professor na UFAm e Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Rubem Cesar Souza Amazônia: velhos desafios para um novo ano Se o Brasil tem uma agenda de grandes demandas a resolver nos setores de Energia, Óleo & Gás, na Amazônia Legal muitas dessas demandas são ainda mais acentuadas, por ocupar 2/3 do território brasileiro e onde vive uma população com os mais baixos IDH do país Neste ano, as eleições para cargos estaduais e federais mobilizarão a atenção de todos, porém diversas questões do setor energético e de O&G na Amazonia precisarão ser enfrentadas. No setor elétrico, os desafios são a universalização do acesso à energia, a substituição de fontes fósseis por renováveis em sistemas isolados e a integração sustentável da infraestrutura, considerando a vasta área geográfica e as necessidades de preservação ambiental. Já os desafios do setor de O&G na Amazônia brasileira envolverão em grande parte as complexas questões ambientais, sociais, logísticas e políticas, especialmente na região da Foz do Amazonas, considerada uma nova fronteira exploratória. Assim, destaco neste artigo questões que já eram desafiantes no ano que terminou e ainda persistem no ano que se inicia. Setor elétrico • Acesso universal e Sistemas Isolados: Cerca de um milhão de pessoas na Amazônia Legal ainda não têm acesso à eletricidade, muitas delas em comunidades isoladas, incluindo áreas indígenas e de conservação. O Programa Mais Luz para a Amazônia e o Programa Luz para Todos buscam resolver isso, mas enfrentam barreiras logísticas e técnicas, como transporte e manutenção de equipamentos em áreas remotas. • Dependência de Termelétricas a Diesel: Muitas comunidades e cidades do interior, dependem de sistemas isolados que utilizam geradores a óleo diesel - caros, poluentes e prestadores de serviços precários -, muitas vezes limitados a poucas horas por dia. A transição para fontes renováveis com sistemas de armazenamento (baterias) se apresenta como solução, mas exige investimentos iniciais significativos. Soluções como o etanol de mandioca, apresentadas em artigos anteriores, intensivas na geração de emprego e renda local e apoiadas em recursos locais e tecnologias passíveis de serem produzidas na região, continuam sendo negligenciadas. • Logística e infraestrutura: A vasta extensão territorial, a densa floresta e a complexa rede hidrográfica dificultam a construção e manutenção de linhas de transmissão e distribuição convencionais. O desenvolvimento de cadeias de suprimentos locais para a instalação e manutenção de tecnologias renováveis é um obstáculo. • Impacto ambiental e climático: O desmatamento na Amazônia afeta diretamente o regime de chuvas, que, por sua vez, impacta a capacidade de geração das hidrelétricas, mesmo aquelas localizadas a milhares de quilômetros de distância. O setor elétrico precisa conciliar o desenvolvimento da infraestrutura com a sustentabilidade ambiental, evitando a degradação da floresta que é vital para a geração de energia. • Regulação e investimentos: A necessária modernização das regulamentações existentes é um fator crítico, pois a lógica atual de planejamento centralizado muitas vezes dificulta o desenvolvimento de soluções descentralizadas e inovadoras, como microrredes (microgrids). Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/velhos-desafios-paraum-novo-ano

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