e-revista Brasil Energia 501

40 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 Amazônia casos nos quais a geração térmica se inclui como complemento e/ou backup. Desde 2018, quando iniciou o Planejamento dos Sistemas Isolados (Sisol), a EPE registrou avanços significativos na integração de sistemas antes isolados ao SIN e na redução do uso do diesel. No final de 2025, ainda existiam 160 sistemas termelétricos isolados, atendendo a 1,9 milhão de consumidores, incluindo o de Fernando de Noronha, único fora da Região Amazônica. Em 2018 os sistemas isolados (SI) eram 270, atendendo 3,3 milhões de pessoas. Nos últimos oito anos, a quantidade de sistemas caiu 41% e 1,4 milhão de consumidores foram ligados ao SIN. Mas até pela dinâmica da economia e pelos avanços da eletrificação, a carga caiu apenas 12,6%, de 4.291 GWh para 3.761 GWh. Outro dado curioso é que, embora a proporção de diesel na geração necessária tenha caído de 97% para 70% no período 2018-2025, o orçamento da CCC quase dobrou, de R$ 5,85 bilhões para R$ 11,46 bilhões, ante um IPCA acumulado de 51%. Redução nas interligações O ritmo médio de interligações de sistemas isolados ao SIN nestes oito anos foi de 13,75 por ano. De 2024 para 2025 foram interligados 15 sistemas, incluindo o de Boa Vista, última capital fora do sistema integrado. A interligação de Boa Vista abarcou outros sete sistemas isolados de Roraima. Outro destaque do ano passado foi a integração de Cruzeiro do Sul, no Acre, cidade de quase 100 mil habitantes. No entanto, há fortes evidências de que o ritmo das interligações vai cair bastante nos próximos anos. Os estudos concluídos no final de 2025 preveem apenas 16 novas interligações entre 2026 e 2030, sendo 13 delas no Pará, duas no Amazonas e uma em Roraima. Embora outros estudos venham sendo feitos pela EPE e possam resultar em novas interligações até o final da década, os sinais são de que a margem de possíveis ganhos, considerando o custo-benefício determinado pelo tamanho do sistema e pelas dificuldades físicas para integrá-lo, está cada vez mais estreita. Tanto que, após cair 55% este ano devido à interligação de Boa Vista, a expectativa é que a carga volte a subir levemente a partir de 2028. Ligar ao SIN ou otimizar o SI A EPE considera a interligação de uma localidade economicamente atrativa comparando o custo de implantação da rede com o custo de geração térmica ao longo dos anos. Quanto menor o tempo de retorno do investimento na rede, maior a atratividade da conexão. E o tempo de retorno será tanto menor quanto mais próxima a localidade estiver de um ponto de conexão e quanto maior for seu consumo de eletricidade. Quando estas premissas são transplantadas para a Amazônia, onde estão praticamente todos os sistemas isolados, a EPE se depara com desafios técnicos e econômicos que recomendam cautela, a começar pela baixa densidade da carga, espalhada por uma região geográfica imensa e pouco povoada.

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=