Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 65 Edmar de Almeida é economista, professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Edmar de Almeida Venezuela após a nova Lei de Hidrocarburos Embora a reforma tenha sido bem recebida por parte dos investidores e acompanhada por alívio parcial das sanções, há ainda preocupações com a transparência, a governança e a profundidade das mudanças estruturais. Reformas legais e políticas mais amplas ainda serão necessárias A indústria de petróleo e gás da Venezuela encontra-se em um ponto crítico de inflexão. De um lado, o país mantém algumas das mais impressionantes reservas de hidrocarbonetos do mundo. De outro, décadas de subinvestimento, deterioração institucional e sanções internacionais limitaram severamente sua capacidade de transformar essa riqueza geológica em produção sustentável e desenvolvimento econômico. A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela em 2026 impôs uma nova dinâmica política entre os dois países. A Venezuela foi empurrada para um processo de negociação forçada rumo a um setor de petróleo e gás aberto ao capital estrangeiro e dominado pelos EUA, o que pode marcar um ponto de virada, caso os desafios estruturais sejam enfrentados e reformas críveis sejam implementadas. Vasto Potencial, Restrições Severas A Venezuela continua a deter as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, estimadas em aproximadamente 303 bilhões de barris, concentradas principalmente na Faixa do Orinoco. Menos destacada, mas igualmente estratégica, é a sua potencialidade em gás natural. O país possui grandes reservas de gás ainda não exploradas, que poderiam ser desenvolvidas com investimentos relativamente modestos, visando a exportação de GNL ou exportações via dutos para países vizinhos. Uma oportunidade imediata é exportar gás natural para Trinidad e Tobago para ser re-exportador utilizando a capacidade ociosa de liquefação de GNL daquele país. Em um contexto regional cada vez mais focado em segurança energética e soluções de gás para geração elétrica, o gás venezuelano pode tornar-se um ativo valioso. No entanto, as verdadeiras restrições da Venezuela não são geológicas e sim institucionais e operacionais. A infraestrutura petrolífera encontra-se severamente degradada - as unidades de upgrading estão em grande parte inoperantes - e o país enfrenta uma escassez crônica de diluentes, insumo essencial para a produção e exportação de petróleo pesado. As sanções restringiram o acesso a mercados, financiamento e tecnologia, enquanto a empresa estatal PDVSA foi esvaziada ao longo de anos de má gestão, politização e perda de capacidade técnica. Sem investimento estrangeiro massivo, a Venezuela não conseguirá revitalizar seu setor de petróleo e gás e atrair esse investimento exigirá reformas profundas nos campos regulatório, fiscal e político. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/panorama-na-venezuelaapos-a-nova-lei-de-hidrocarburos
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