Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 75 Ieda Gomes é consultora independente e membro do conselho de administração de empresas internacionais de energia, infraestrutura e certificação. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Ieda Gomes O GNL em um mercado em transformação Apesar da expectativa de excedente de capacidade de cerca de 90 mtpa até 2030, a demanda latente poderia chegar a até 100 mtpa se os preços caírem para US$ 6–8/MMBTU, aproveitando infraestrutura existente O gás natural e o GNL continuam a exercer um papel pivotal na transição energética global, conforme destacado por líderes da indústria e por desenvolvimentos recentes do mercado. O investimento global em transição energética atingiu um recorde de US$ 2,3 trilhões em 2025 (aumento de 8% em relação a 2024), impulsionado principalmente por tecnologias maduras como eletrificação do transporte, energias renováveis e redes elétricas. Mas os combustíveis fósseis ainda atraem capital significativo (US$ 1,19 trilhão em suprimento de combustiveis fósseis versus US$ 1,3 trilhão em suprimento de energia limpa). Os investimentos acumulados de 2020– 2025 em suprimento de energia limpa e combustíveis fósseis, são semelhantes, da ordem de US$ 6,3 trilhões. Essa transição em múltiplas velocidades reforça que o gás natural, especialmente o GNL, segue atuando como combustível essencial para a segurança energética, acessibilidade e confiabilidade, em meio ao aumento da eletrificação da economia em diversas regiões. Executivos da indústria enfatizam a natureza despachável do gás natural e GNL, que complementam as renováveis intermitentes, e seu perfil de emissões mais baixas em comparação com carvão ou óleo. A indústria se prepara para um potencial excesso de oferta de GNL até 2030, com projeções de capacidade excedente de cerca de 90 milhões de toneladas/ano (mtpa). Mercados asiáticos e emergentes, juntamente com novas aplicações como bunkering marítimo (onde a demanda por GNL pode dobrar ou mais até 2030) e transporte, são vistos como absorvedores chave de suprimentos adicionais. Mercados emergentes enfrentam dilemas de infraestrutura: o GNL penetra mais facilmente onde já existe infraestrutura de gás e a produção doméstica está diminuindo, mas nova infraestrutura exige mecanismos de financiamento essenciais. No entanto, persistem desafios. A destruição irreversível de partes da demanda pode surgir da volatilidade e de preços muito altos, levando a mudanças estruturais em que consumidores industriais investem em alternativas como eletricidade, carvão ou lenha. Os preços em hubs europeus e asiáticos permanecem elevados (US$ 11-15/MMBtu) em comparação aos níveis pré-Guerra da Ucrânia, tornando o GNL inacessível em muitos mercados emergentes. Compradores priorizam flexibilidade - cláusulas de destino, opcionalidade de volume, ajustabilidade de contratos - e uma mistura de suprimentos de curto e longo prazo para diversificar riscos geopolíticos, além de transparência sobre as emissões. No caso do Brasil, a baixa taxa de utilização dos terminais de GNL (515%), adiciona custos adicionais. Continue lendo esse artigo em: /energia/perpectivas-para-o-gnl-em-ummercado-em-transformacao
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