e-revista Brasil Energia 501

88 Brasil Energia, nº 501, 26 de fevereiro de 2026 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Petróleo venezuelano no cálculo de Trump Além da Chevron, mais duas companhias podem ter custos relativos menores: a ExxonMobil, que já tem conhecimento prévio dos campos no país, e a Halliburton O leitor não precisa de muitos argumentos para se convencer de que a única motivação da invasão americana na Venezuela e do sequestro do ditador Maduro foi o interesse pelo petróleo. Isso porque a explicação foi dada pelo próprio Trump na primeira entrevista em Mar- -a-Lago após a operação. Logicamente, a Casa Branca precisava de uma fundamentação “jurídica” e encontrou na questão do narcotráfico esse ponto. Dito isso, sem mais delongas vamos ao que interessa. O cálculo econômico de Trump Desde seu primeiro mandato, Donald Trump segue a lógica mercantilista na gestão macroeconômica, a despeito de seu abandono há pelo menos um século na política normativa. Para ele, a obtenção de superávits comerciais é fator causal de crescimento econômico, entendimento derivado de uma confusão conceitual que alguns economistas fazem da leitura da decomposição das contas do balanço de pagamentos, problema que não vem ao caso neste texto. É esse o objetivo básico que faz Trump desejar tão fortemente um dólar barato e desvalorizado. Esse mesmo arranjo permite, na lógica das famílias dos modelos Mundell-Fleming dos anos 1970, a expansão da política fiscal sem efeitos na taxa de juros (que precisa ficar baixa para não apreciar o câmbio), já que nesse arcabouço teórico, a política fiscal é ineficaz sob regime de câmbio flutuante sobre a taxa de juros (e também sobre a renda, o que Trump parece desprezar). Por que o Petróleo? Nessa equação, no afã de aumentar seu superávit comercial, o petróleo surge como variável de ajuste, ideia expressada na campanha presidencial e tema desta coluna pela frase “drill, baby drill”. O suporte vem da vasta experiência e poder do lobby da indústria de óleo, gás e carvão ao longo do século XX e que atingiu seu ápice no atual mandato presidencial. Segundo relatório conjunto da Public Citizen e da Revolving Door Project, há mais de 5.300 lobistas americanos credenciados com livre participação em eventos climáticos, mais de 40 nomeações no primeiro ano do atual governo Trump para a administração pública federal direta, que inclui a Casa Branca e mais oito agências federais, tudo relacionado às polpudas doações de campanha do atual presidente que somaram 96 milhões de dólares em 2024. Onde entra Venezuela na equação? Tendo esse quadro em vista e a importância de criar zonas de influência que afastem a China da América Latina, a Venezuela surge como a solução ideal (a operação foi batizada como “resolução absoluta”). Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/petroleo-venezuelano-e-ajustemacroeconomico-no-calculo-de-trump

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