10 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Gás e Biometano Esse acúmulo de restrições na oferta, sem competição entre os produtores, resulta em preços no último andar. Mesmo a operação do Rota 3, escoando o gás dos grandes projetos do pré- -sal até o polo Boaventura (RJ), não deu para molhar o mercado como se esperava. O gasoduto com capacidade para injetar 18 milhões de m3/dia, finalizando numa UPGN de 21 milhões de m3/dia, teve sua nova oferta neutralizada pela redução de outros supridores, especialmente o gás boliviano. A capacidade do Gasbol é de 30 milhões de m3/dia no trecho MS-SP, mas a TBG não consegue oferecer mais que 13 milhões de m3/dia (EPE, TBG). Alternativas ao gás offshore O baixo suprimento do gás offshore brasileiro, comparado ao que é produzido, queimado e injetado, além do consumo próprio nas instalações das petroleiras, portanto, segue oferecendo oportunidades a novos supridores alternativos. É aí que a equação do risco se torna mais complexa, porque novos suprimentos, como um contrato de longo prazo do gás de Vaca Muerta, precisam levar em conta o impacto nos preços futuros quando Raia (2028) e SEAP (2031) entrarem em operação. A competição na oferta vai fazer o preço cair na ponta, prevê Rogério Manso, presidente da ATGás, em matéria nesse especial. Mas que volumes começam a fazer diferença no preço? Recentes importações do gás de Vaca Muerta para testar a logística e os obstáculos regulatórios do trajeto podem sinalizar solução para a redução do suprimento boliviano. Consultado, um comercializador que já testou a rota via Gasbol confirmou que os produtores argentinos “já têm noção clara de que o gás [do país vizinho] pode, sim, chegar de maneira muito competitiva ao mercado brasileiro, resolvendo-se alguns temas regulatórios na Argentina e Brasil, e com um preço do transporte de gás na Bolívia mais competitivo do que praticado hoje”. Outro consultor afirma que nessas importações de teste, o gás argentino chegaria no Gasbol a US$ 7,5/MMBTU em um hipotético contrato firme. Depois da Guerra do Irã, o gás que já encontrava resistência no consumidor brasileiro a US$ 12,5-13,5 / MMBTU deverá ficar ainda mais caro com o Brent na faixa de US$ 100. A formação do preço no Brasil, com base em 11 a 12% do Brent, a partir de maio será reajustado, levando em conta o preço médio do trimestre jan-mar. Assim, levando em conta que o reajuste de maio só será influenciado pelo preço pós guerra em um mês do trimestre, é possível que o preço ao consumidor ainda permaneça comportado para o período maio-julho em torno de US$ 14-15 / MMBTU, segundo um consultor com larga experiência no mercado. Porém, a persistir o conflito, com o Brent permanecendo acima do patamar de US$ 100, ele acredita que em agosto o reajuste poderá representar uma pancada ainda maior para o mercado. Volatilidade favorece o biometano Assim é que a competitividade entre o metano de origem mineral e o
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=