Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 111 A Coalizão Eólica Marinha (CEM), grupo lançado logo após a resolução do CNPE para o desenvolvimento das eólicas offshore no Brasil, entende que os sinais recentes apontam para a construção de um ambiente mais estruturado para a consolidação da fonte em águas brasileiras, mas é preciso que sejam realizadas cessões iniciais de área, em caráter pioneiro, para orientar de forma adequada a inserção do potencial da eólica offshore na matriz energética. “A CEM nasce da combinação entre urgência, oportunidade e necessidade de foco”, disse Roberta Cox, presidente da Coalizão e diretora no Brasil do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), à Brasil Energia. O colegiado, segundo ela, pretende reunir desenvolvedores, fornecedores de tecnologia, indústria naval, infraestrutura portuária, governos e parceiros institucionais com experiência internacional. Além do GWEC, a iniciativa já conta com empresas como Ocean Winds, Mingyang, Windar e a brasileira Ocêanica. Estruturalmente, a CEM atuará em três frentes principais: aprofundar o diálogo com stakeholders chave, contribuir para o aperfeiçoamento regulatório e ajudar a estruturar condições concretas para a destravamento da indústria no país. Em tela, temas como cessão de áreas, estudos, licenciamento social, cadeia produtiva, previsibilidade regulatória e construção de uma visão de longo prazo para o setor. Segundo ela, um aspecto central é que as diretrizes não parecem estabelecer um prazo para o início das cessões de áreas para estudos. “Sem levantamento de dados primários e estudos consistentes de viabilidade, a própria discussão sobre eventuais zonas de restrição fica limitada, carecendo de evidências técnicas que permitam avaliar com maior precisão os impactos e as alternativas”, aponta. Roberta explica que a experiência internacional oferece um indicativo claro: a realização de cessões iniciais para desenvolvedores comprometidos com a condução de estudos técnicos é um passo fundamental. “Neste momento, entendemos que o principal vetor para o avanço da fonte é o desbloqueio do acesso às áreas marítimas para a realização de estudos de viabilidade”, reforça, ressaltando que a realização desses estudos não se confunde com a implantação de projetos. “Trata-se, antes, da criação de uma base sólida de conhecimento baseada em dados primários, essencial para um diálogo com a sociedade e as comunidades locais, bem como para a condução de processos de licenciamento ambiental”. n
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