Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 119 Esse arranjo — ampla margem e metodologia mais flexível — reduziu a competição por pontos de conexão, tradicionalmente um dos principais vetores de disputa. Em vez de competir por acesso à rede, os projetos passaram a disputar apenas preço, em um ambiente com elevada oferta de pontos viáveis. O efeito é particularmente evidente em regiões com forte concentração de contratação, como o Ceará. No estado, foram negociados cerca de 3,1 GW de potência, enquanto a capacidade de escoamento disponível nas principais subestações — como Cauípe, Fortaleza e Pecém (P100) — somava aproximadamente 4,5 GW. A margem era suficiente para acomodar praticamente todos os projetos vencedores, reduzindo a pressão competitiva local. Essa dinâmica ajuda a explicar os deságios reduzidos observados no primeiro leilão, que registrou deságio médio ponderado de 5,5%, com produtos como 2027 praticamente sem desconto (0,01%) e 2028 na faixa de 6,17%, segundo dados da EPE. Com ampla disponibilidade de conexão, os agentes não precisaram reduzir agressivamente os preços. A distribuição da contratação ao longo dos produtos reforça essa leitura. O primeiro leilão, realizado em 18 de março, absorveu praticamente toda a necessidade estrutural de potência do sistema, com destaque para o produto de 2028, que concentrou cerca de 7,4 GW. Já o segundo certame, voltado a óleo, diesel e biodiesel, teve participação marginal, com apenas 501 MW contratados, evidenciando uma mudança abrupta de escala e de dinâmica competitiva. Nesse segundo leilão, a menor quantidade de projetos e a competição mais direta resultaram em deságio médio de 50,14%, com produtos chegando a 55,7% no caso do biodiesel, contrastando com os níveis observados no certame principal. UTE Três Lagoas (252 MW) da Petrobras: empresa atuou principalmente com recontratação de ativos existentes Foto: Divulgação/Petrobras
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