e-revista Brasil Energia 502

Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 123 Osmani Pontes é economista, com MBA em mercados de derivativos, opções e futuros pelo Insper e em gestão de portfólios cambiais pela EPGE/FGV. Escreve mensalmente na Brasil Energia. Osmani Pontes Ajuste tardio no pacote dos combustíveis? A estratégia do Governo traz um risco porque a implementação de um plano emergencial leva tempo e os resultados são pouco previsíveis O segundo pacote de medidas, anunciado dia 6 de abril pelo Governo Federal para conter o choque do petróleo, não deve ser visto como um movimento calculado, nem mesmo como salvaguardas antecipadas para o caso de uma deterioração do cenário externo. Ele é fruto de incongruências do pacote anterior e da existência da defasagem de preços anterior à eclosão da guerra e do choque. Logo após o anúncio do primeiro pacote, que basicamente subsidiou os combustíveis em R$ 0,32 o litro, algumas inconsistências ficaram claras. A adesão da Petrobras, da Acelen, Sea Trading, Midas Distribuidora e Sul Plata não foi suficiente para dar robustez ao plano. Isso porque três distribuidoras não aderiram: Vibra, Ipiranga e Raízen. Essas empresas compram diesel da Petrobras e Acelen, mas são responsáveis por metade da importação do diesel no Brasil. A Petrobras responde por 20% enquanto as comercializadoras e importadoras regionais internalizam os 30% restantes. Como a contrapartida do pacote era um teto de R$ 5,28 a R$ 5,81 para as importadoras e de R$ 3,51 a R$ 3,86 para os compradores do diesel nacional, a venda de diesel a esse preço não compensou o custo de importação. Por isso, mesmo as comercializadoras e importadoras regionais que aderiram ao plano podem na prática não acessar, já que não faria sentido comercial. Só a Petrobras consegue cumprir a operação porque tem as margens de exploração e do refino como gordura para queimar. Além do subsídio do governo não cobrir o custo, a própria estrutura de preços já carrega uma defasagem das tarifas nas refinarias da Petrobras. Esse problema, existente antes mesmo do choque do petróleo, se agravou. Um sintoma disso foi o leilão de GLP acima dos preços de mercado, que custou o cargo do diretor de Comercialização da companhia, embora vender com ágio seja uma prática usual quando o preço no mercado interno está desalinhado do externo. Nesse sentido, há que se destacar a estratégia da presidente Magda Chambriard quando combina os interesses do governo (assumindo a defasagem) ao mesmo tempo em que impõe limites que preservam a empresa do escrutínio do mercado e dos acionistas minoritários. Por isso, houve deslocamento da decisão das medidas para Brasília e tanto o primeiro quanto o segundo pacote foram tecidos a quatro mãos pelos novos ministros da Fazenda e Planejamento, Dario Durigan (quando ainda era o número 2 de Haddad) e Bruno Moretti, ex- -presidente do Conselho da Petrobras, que não por outro motivo indicou Guilherme Mello para sucedê-lo. Mello assumiu como seu número 2 no Planejamento. É nesse momento que se justifica o segundo pacote. O governo precisa estimular as importadoras a trazer combustível. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/pacote-dos-combustiveisajuste-tardio-ou-paliativos-ineficazes

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