128 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Ibem 2026 O conflito do Oriente Médio, que está provocando enorme desequilíbrio de preços, colocou o Grupo Acelen, dono da Refinaria de Mataripe, na Bahia, no centro das discussões de preços ao consumidor, e até alvo de defesa de reestatização pelo governo federal. Mas a crise do petróleo também está sendo motor para o grupo impulsionar o aumento da produção do refino de combustíveis fósseis e alavancar o projeto de US$ 3 bilhões que desenvolve de produção de biocombustíveis a partir da macaúba beneficiada. Em entrevista à Brasil Energia, o vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação e ESG da Acelen, Marcelo Lyra, falou sobre a volatilidade de preços, o aumento da produção de combustíveis fósseis, a dificuldade de as refinarias privadas comprarem petróleo a preços competitivos e as perspectivas da produção de biocombustíveis a partir do beneficiamento da macaúba. Principais trechos da entrevista: • Crescimento da produção em Mataripe: Quando a Acelen assumiu a planta há cerca de cinco anos, a refinaria produzia uma média entre 200 e 205 mil barris diários. Após os investimentos realizados, o volume saltou para 280 mil a 290 mil barris por dia. Lyra reforça que a empresa opera com carga máxima possível para garantir o abastecimento da Bahia e do Nordeste; • Gargalos da MP 1340/2026 e tributação: Lyra avalia como coerente a intenção de desonerar o PIS/Cofins do diesel, mas faz um alerta crítico: para o modelo das refinarias independentes, é imprescindível desonerar também o petróleo utilizado para produzir esse derivado. Do contrário, a refinaria acumula um crédito tributário bilionário que “suga” o caixa da companhia. Ele ressalta ainda que a sobretaxa de exportação deve ser restrita estritamente ao diesel rodoviário, poupando produtos com vocação exportadora, como o MGO (diesel marítimo); • Biorrefinaria de US$ 3 bilhões: O megaprojeto prevê a produção de 1 bilhão de litros de SAF e diesel verde (HVO), demandando o plantio de 180 mil hectares da macaúba. Em 2026, o foco será a expansão das fazendas de cultivo e a tão esperada decisão final de investimento; • Revolução genética e robótica no Agriparque: O centro tecnológico Agriparque viabilizou a escala agrícola do projeto ao elevar o índice natural de germinação da semente de macaúba (que era de 3% a 5%) para mais de 80%. Utilizando braços robóticos e escarificação a laser (com o preparo de uma semente por segundo), o centro atinge a meta de produzir 10,5 milhões de mudas por ano para o campo. Acelen vê na crise impulso para refino de fósseis e renováveis Marcelo Lyra, VP da Acelen, destaca o foco da companhia nos biocombustíveis e detalha como a Refinaria de Mataripe está navegando no atual cenário energético de crise provocada pelo conflito do Oriente Médio. ASSISTA a vídeo-entrevista
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