e-revista Brasil Energia 502

Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 13 A tímida expansão da malha estruturante de gasodutos de transporte é mais um sintoma do marasmo porque passa o mercado de gás natural. A rede não apresenta crescimento anual significativo há pelo menos 15 anos. Nos números da ANP, desde 2011 a malha praticamente permaneceu estática em sua expansão, com pequenos acréscimos, e hoje o país é servido por apenas 9.400 km de gasodutos de transporte. Além de estagnado, o mapa de gasodutos de transporte do Brasil está altamente concentrado no litoral, à exceção do Gasbol, do gasoduto Urucu- -Coari-Manaus e do pequeno gasoduto do Ocidente, no oeste do Mato Grosso. O TSB gaúcho seria mais uma rede estruturante a cruzar o país de Oeste a Leste, mas congelou sua expansão no ano 2000 após tornar operacionais as duas pontas, em Uruguaiana e Canoas, cada uma de 25 km. Restou inconclusa a maior parte do traçado no interior do estado, ligando as duas cidades, de 593 km. Em 2020, para abastecer sua térmica de Jaguatirica II (143 MW), em Boa Vista (RR) a partir do seu campo de Azulão (AM), 1.100 km distante, a Eneva optou por usar uma frota de 120 carretas criogênicas com GNL ao invés de depender da construção de um eventual gasoduto da transportadora TAG que opera em todo o Norte do país. Apesar da demanda já existente no interior, o crescimento da rede não está nos planos mais imediatos das empresas de transporte. Em entrevista concedida à Brasil Energia, o presidente da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás), Rogério Manso, informou que até o fim da década os planos das empresas associadas prevêem o aumento da capacidade de entrega nos mercados já atendidos, basicamente com investimentos em desgargalamentos e aumento de compressão. Gasbol, o maior interessado Os números superlativos das transportadoras comparados às pequenas produções de biometano que pipocam no país não parecem indicar que o combustível renovável possa conectar as duas atividades. A exceção seria o Bolívia-Brasil, principal gasoduto que serve o interior do país, atravessando cinco estados e 136 municípios, muitos deles produtores ou potenciais produtores de biometano, especialmente nos estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo, cortados do Oeste ao Leste. A TBG, proprietária do Gasbol, tem particular interesse no aumento da produção local e suprimento de biometano para compensar em parte o declínio da oferta de gás boliviano. Embora os volumes do gás renovável sejam pouco expressivos para compensar a oferta declinante do gás boliviano ao Gasbol, as perspectivas de crescimento são relevantes, ainda mais que, ao contrário do gás de origem fóssil, o biometano é renovável, com garan-

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