Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 3 olá, leitor Não precisamos repetir o ano para aprender o que já sabemos Como aquele aluno que não leva a sério seus estudos e vive repetindo de ano, o Brasil vive importando crises energéticas desnecessárias embora tenha todos os recursos para aproveitar e transformar conflitos globais em oportunidades. O país avançou muito nos últimos 100 anos na sua autossuficiência energética. Da criação do CNP em 1938 até se tornar um grande produtor e exportador global e colocar o petróleo como principal produto de nossa pauta de exportações. Garantimos o crescimento da indústria com um portentoso Parque Hidrelétrico e ainda somos o segundo gerador hidrelétrico no mundo. Criamos o Proálcool para escapar ao choque de preços de 1973 e hoje o país é o segundo produtor mundial de etanol. Temos a maior diversidade em recursos bioenergéticos do planeta, capaz de suprir cada região evitando desperdícios logísticos. Muito antes do país ser inundado por painéis solares chineses, o Brasil tinha uma empresa, a Heliodinâmica, que abastecia 5% do mercado global. Parece muito, mas as posições nos rankings camuflam outra realidade, a de um time recheado de craques, sem o técnico que leva o time a vitória. Há anos o país se ressente da falta de um Plano Energético Nacional, um plano de Estado, que seja executado pelas forças de mercado e atravesse governos. Temos um CNPE, um MME, uma EPE, temos um PDE e um PNE, mas desconhece-se a linha condutora que estabeleça a prioridade de cada segmento energético em um plano de longo prazo ao país. E assim vamos caminhando remendando o planejamento esburacado, de crise em crise. A atual, centrada no diesel e nos fertilizantes, é apenas a última.
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=