e-revista Brasil Energia 502

34 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 Especial Gás e Biometano No projeto, o biometano é injetado na rede da Compagas, atendendo à rede de postos que oferecem o GNV. A distribuidora fornece biometano no norte do Paraná, mais especificamente para duas indústrias no município de Cambé, a Pado e a Aesa. Segundo Furtado, a Compagas investiu cerca de R$ 10 milhões para expandir a rede em Londrina e Cambé, com a implantação de quatro quilômetros de gasoduto. Estes foram somados aos seis quilômetros que já existiam na região, totalizando 10 km. Por estar longe do restante da malha da Compagas, Londrina recebe gás comprimido, via GNC. Para possibilitar esse abastecimento, foi construída uma base operacional em Londrina. Depois disso, o gás é descomprimido, injetado na rede de dutos da Compagas e distribuído para as duas indústrias em Cambé. A partir de 2027, a Compagas planeja ampliar a rede em Londrina para atender ao mercado residencial e comercial. Quando anunciou o projeto, em 2024, a companhia afirmou que a expansão deve absorver investimentos de cerca de R$ 500 milhões até 2029. Além de Londrina, a expectativa é também atender à Maringá. O presidente da Compagas sinaliza que o fornecimento para a última deve se iniciar ainda no primeiro semestre de 2026, com foco inicial no atendimento ao setor industrial. Aumento no volume, queda na densidade No total, a Compagas comercializou cerca de 924,6 mil m3/dia de gás em 2025 (fonte: Abegás). A empresa fechou o ano com 65.880 consumidores e rede de 948 km. Para Furtado, a estagnação no consumo “não se reflete na realidade da Compagas”. De fato: o valor de 2025 supera os 892,8 mil m3/dia vendidos em 2021 e os 720,5 mil m3/dia registrados em 2024 (fonte: MME, Cenários Gás). Entretanto, a Compagas, assim como boa parte das distribuidoras, apresenta queda na densidade dos gasodutos. Enquanto o total era de 383 mil m3/km em 2021, o número de 2025 caiu 7,15%, para 356 mil m3/km. Ou seja, embora haja um aumento no volume comercializado, a rede cresceu mais em sua cobertura. Por outro lado, Furtado acredita que é justamente esse avanço na infraestrutura dos gasodutos que pode atrair a demanda: “A expansão da rede de gás se consolida como um importante vetor de infraestrutura e desenvolvimento regional. Há evidências claras no estado de que localidades atendidas pela rede, em sinergia com outras infraestruturas, tornam-se mais atrativas para a instalação de fábricas e indústrias, como observado em Ponta Grossa e Fazenda Rio Grande”. Com esse entendimento, a Compagas tem avançado com outras expansões, além do Norte do Paraná. O projeto de levar o gás até a cidade de Lapa, a partir da rede existente, em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, tem um investimento de mais de R$ 70 milhões. A expectativa é instalar mais de 50 km de dutos para conexão com a fábrica da Potencial. n

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