Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 49 José Almeida dos Santos José Almeida dos Santos, geólogo-UFRJ, é consultor na área de energia. Escreve na Brasil Energia mensalmente. Bacias africanas, sul-americanas e analogias As últimas descobertas de campos de petróleo na Bacia do Orange, na Namíbia, acenderam uma esperança para as bacias de Pelotas Sul, Punta del Este, Salado e Colorado, no Sul da América do Sul, por pelas analogias geológicas entre elas Coautores: Lincoln R. Guardado, João Figueira, Kazumi Miura e Bruno Leonel A história da exploração offshore em águas profundas (até 1.500 m de lâmina d’água) e ultra profundas (maior que 1.500 m) teve um grande impulso a partir de 1985, com a descoberta do campo de Marlin, na Bacia de Campos, e outras descobertas que se seguiram nessa província e na Bacia de Santos, entre outras no mundo. Mais de 80% dos campos de petróleo descobertos a partir do ano 2000 estão situados em águas profundas ou ultra profundas, concentradas no chamado Triângulo de Ouro (Golfo do México, Oeste da África e Brasil-Guianas). No Oeste da África, a atividade atual se concentra na Nigéria e em Angola, nas bacias do Delta do Niger e Bacia do Baixo Congo, respectivamente, algo na Guiné Equatorial, Gabão e Congo e, mais recentemente, Senegal e Namíbia. E na América do Sul, sobretudo nas bacias de Santos e Campos, com as descobertas dos supergigantes campos do pré-sal. Na Costa Oeste africana, entretanto, há 15 bacias onde, entre 1995 e 2012, foram descobertos mais de 180 campos de óleo e gás. Difícil imaginar que não exista ainda muito óleo e gás a ser encontrado, mesmo porque algumas descobertas em águas profundas ainda são recentes, como no Senegal, na Namíbia e na África do Sul. Ainda há muito a ser feito, quer nas bacias maduras através da identificação de novos plays, quer nas bacias ainda em estágio preliminar de exploração. Desde a década de 1970, as bacias marítimas da Namíbia receberam esforços exploratórios intermitentes. Várias campanhas perfuraram 19 poços exploratórios que resultaram secos e/ ou com indícios de óleo e gás. Destaque para a descoberta da acumulação de gás de Kudu, na Bacia do Orange, pela Texaco (ora Chevron) em 1974, em reservatórios do Barremiano. Até que, no início de 2022, descobertas importantes da Shell (poço Graff-1X) e TotalEnergies (poço Venus-1X), na Bacia do Orange, marcaram um notável ponto de inflexão no histórico exploratório da Namíbia. A costa oeste da África, não somente a Namíbia, carecia de descobertas materiais, mas as bacias marítimas ao sul da prolífica Bacia do Baixo Congo, como Kwanza, Benguela e Namibe, em Angola, também ainda aguardam resultados dos seus potenciais exploratórios. Geologia e formação da Bacia do Orange A Bacia de Orange é parte de um sistema vulcânico, de margem passiva, localizada ao sul das cadeias vulcânicas Walvis ao longo da costa sul do Atlântico na Namíbia e na África do Sul. Essa bacia foi formada no período Jurássico Superior e Cretáceo Inferior (há 150 milhões de anos), quando a América do Sul e África começaram a se separar, resultando na ruptura do supercontinente Gondwana. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/analogias-e-potencial-dasbacias-da-namibia-e-america-do-sul
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