e-revista Brasil Energia 502

Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 59 Marcelo Souza de Castro, graduado em Engenharia Mecatrônica e doutor em Engenharia Mecânica, é diretor do Cepetro, da Unicamp. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. Marcelo Souza de Castro Desafios no Escoamento Offshore de O&G Em sistemas offshore, uma única interrupção pode resultar em perdas de milhões de dólares por dia. Intervenções são necessárias para prevenir riscos ambientais relevantes Garantia de escoamento é um termo da indústria de petróleo cunhado nos corredores da Petrobras que de lá ganhou o mundo, sendo sinônimo da busca por técnicas e estratégias para garantir, como o próprio nome já diz, que os fluidos produzidos nos reservatórios de petróleo e gás — como óleo, gás natural, água e sólidos — possam ser transportados de forma contínua e segura através de todo o sistema de produção. Como sistema entenda-se os poços, linhas de produção, risers e dutos, até as unidades de processamento. Garantir o escoamento envolve conhecimentos de engenharia de petróleo, termodinâmica, transferência de calor, reologia e química aplicada para prever, monitorar e mitigar problemas que possam comprometer a entrega do que é produzido. Em ambientes offshore e, mais ainda, nos campos de águas ultra profundas e do pré-sal, o termo se mostra ainda mais complexo, pois as longas linhas de produção, as altas pressões e as baixas temperaturas são fatores que favorecem a ocorrência de problemas como a formação de hidratos de gás, deposição de parafinas, precipitação de asfaltenos, formação de incrustações inorgânicas (scales), arraste de areia e emulsões estáveis, dentre outros como o CO2, que será tema de outro artigo. Esses fenômenos podem levar, por exemplo, ao entupimento de dutos e à paralisação da produção. Hidratos de gás são estruturas cristalinas formadas pela combinação de água e gás sob condições de baixa temperatura e alta pressão, podendo bloquear completamente tubulações. A deposição de parafinas ocorre quando o petróleo esfria abaixo da temperatura de aparecimento de cristais, levando ao acúmulo de cristais sólidos nas paredes das linhas. Os asfaltenos podem se precipitar com as mudanças de pressão e temperatura ou composição do fluido e podem também restringir o fluxo. Já os scales são formados por deposições inorgânicas de carbonato de cálcio e outros, vindos do reservatório em diversas condições. As emulsões de água em óleo formam fluidos de difícil transporte e processamento. Ou seja, todos os problemas podem levar, quando não a paradas – problema mais crítico-, no mínimo a problemas de processamento e redução da produtividade. Há estimativas de que problemas de garantia de escoamento gerem bilhões de dólares em perdas anuais na indústria global de petróleo e gás, principalmente devido às paradas de produção, intervenções em dutos e danos a equipamentos. Em grandes sistemas submarinos, como os existentes no Brasil, uma única interrupção pode resultar em perdas de produção de milhões de dólares por dia, considerando o valor do barril de petróleo e os custos operacionais das unidades offshore. E quando há a necessidade de intervenções subsea para remoção de bloqueios ou limpeza de linhas que exigem o uso de embarcações especializadas, há um aumento considerável dos custos. Continue lendo esse artigo em: /petroleoegas/escoamento-offshore-de-ogdesafios-operacionais-e-tecnologicos

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