62 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 hidrelétricas como uma das principais alternativas à sustentabilidade da expansão das fontes renováveis intermitentes. A EPE, na verdade, nunca abandonou esses estudos, mas eles perderam relevância nos cenários traçados em seus planos decenais, na medida em que as possibilidades mais claras estão localizadas em áreas de forte impacto socioambiental. Daí porque esta decisão diz que deverá ser priorizada a análise de reservatórios de usos múltiplos, coordenando geração de energia com irrigação, abastecimento local, controle de cheias e outras possibilidades. O objetivo é permitir a elaboração de projetos que possam beneficiar a vários segmentos da sociedade, tornando mais viáveis suas implantações. Outra novidade trazida pela resolução é que os estudos da EPE deverão ser acompanhados pela Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento (SNTEP), conectando os estudos de hidrelétricas com as metas de descarbonização do país. As últimas grandes hidrelétricas construídas no Brasil foram as usinas estruturantes da Amazônia – Belo Monte, Jirau, Santo Antônio e Teles Pires –, todas a fio d’água, ou seja, sem armazenamento significativo, o que lhes retira a possibilidade de dar segurança ao sistema elétrico nos períodos de seca. A última ação oficial no Brasil voltada para a construção de hidrelétricas de porte superior a 100 MW foi em 2019, quando foram incluídos no então Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) os projetos das UHEs Bem Querer (650 MW), no rio Branco (RR), Tabajara (400 MW), no rio Machado (RO), Castanheira (140 MW), no rio Arinos (MT), e Telêmaco Borba (118 MW), no rio Tibagi (PR). Embora fossem todos projetos de usinas a fio d’água na tentativa de facilitar seus licenciamentos, nenhum deles chegou a ser posto em leilão, sendo virtualmente abandonados em meio às dificuldades socioambientais. O projeto Castanheira foi oficialmente declarado extinto pela EPE em dezembro de 2024, diante do seu arquivamento meses antes pelo órgão ambiental mato-grossense. CNPE determina retomada de estudos de inventário para novas hidrelétricas na última reunião realizada em abril Foto: Tauan Alencar/MME
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