e-revista Brasil Energia 502

84 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 óleo e gás O modelo de contratação adotado foi o BOT (Build, Operate and Transfer), pelo qual a SBM Offshore assume o projeto, a construção, a montagem e a operação das unidades por um período inicial, com transferência posterior à Petrobras. De acordo com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a segunda unidade de SEAP só vai sair do papel por conta da alta do petróleo em meio à guerra no Irã. “Para Sergipe, tínhamos duas plataformas previstas. Uma delas já garantida, SEAP II, e outra ainda dependendo de financiabilidade, o SEAP I. Com esse aumento do preço do petróleo, podemos viabilizar SEAP I”. Juntas, as duas plataformas terão capacidade para produzir diariamente 240 mil barris de petróleo e 22 milhões de m3 de gás natural. O início da produção está previsto para 2030 e a exportação de gás para 2031. O investimento total dos dois projetos supera R$ 60 bilhões, com produção estimada em mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente. Infraestrutura e participações Além dos FPSOs, o empreendimento prevê a perfuração e interligação de 32 poços e a construção de um gasoduto de escoamento de cerca de 134 km, sendo 111 km em trecho submarino e 23 km em terra. A licitação para fornecimento de árvores de natal molhadas (ANMs) e equipamentos submarinos já está em curso, com as demais licitações previstas para começar ainda em 2026. SEAP I abrange os campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste e Palombeta, nas concessões BM-SEAL-10, onde a Petrobras detém 100% de participação, e BM-SEAL-11, operada pela estatal com 60%, em parceria com a IBV Brasil Petróleo (40%). A unidade terá capacidade de 120 mil barris/dia e processamento de 10 milhões de m3 de gás. SEAP II engloba os campos de Budião, Budião Noroeste e Palombeta, localizados a cerca de 80 km da costa, nas concessões BM-SEAL-4 (Petrobras com 75%, em parceria com a ONGC Campos, com 25%), BM-SEAL- -4A e BM-SEAL-10, onde a estatal detém 100%. A capacidade desta unidade é de 120 mil bbl/dia e 12 milhões de m3/dia de gás. Do ponto de vista do abastecimento nacional, o projeto tem relevância pelo volume de gás que adicionará à oferta do país a partir de 2031. A produção do SEAP será escoada por infraestrutura própria e deve ampliar a disponibilidade do energético no Nordeste. Negociação antecipada de gás Dias antes de anunciar a contratação com a SBM dos dois FPSOs do projeto SEAP, a presidente da Petrobras foi a Sergipe assinar com o governador do estado, Fábio Mitidieri, um protocolo de intenções que viabiliza a comercialização do gás natural a ser produzido pelas unidades. O projeto terá impacto estimado de até R$ 37,8 bilhões no PIB estadual e geração de cerca de 200 mil empregos ao longo de sua implantação e operação, segundo o governo de Sergipe. Para o governador Fábio Mitidieri, SEAP será fundamental para impulsionar a economia e o desenvolvimento não só de Sergipe, mas do Brasil, posicionando o estado como novo polo estratégico no cenário energético nacional. Ele informou que no encontro com a presidente da Petrobras, foram discutidos a contratação dos FPSOs, armazenamento e transferência de petróleo, descomissionamento de plataformas e capacitação de mão de obra local. n

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