e-revista Brasil Energia 502

PARTICIPAÇÃO DAS FONTES NA MATRIZ ELÉTRICA NACIONAL EM 2025 E 2035 96 Brasil Energia, nº 502, 30 de abril de 2026 termelétricas tínua, atributo central para o atendimento à ponta e à confiabilidade do sistema. Já a hidrelétrica — ainda principal fonte do sistema — cresce pouco em termos absolutos, passando de 109 GW para 113 GW, o que reduz sua participação de 44% para 32% da capacidade instalada total. Esse movimento evidencia esgotamento do potencial de expansão de grandes reservatórios. A mudança estrutural da matriz também aparece na geração efetiva de energia. O PDE estima que a produção total de eletricidade subirá de 810,6 TWh em 2025 para 1.122,1 TWh em 2035, expansão de aproximadamente 38% em dez anos. No mesmo período, a participação da eólica cresce de 15,1% para 16,4%, e a solar centralizada de 4,4% para 5,2%, ampliando o peso das fontes intermitentes na composição da geração. Mesmo com a manutenção de uma matriz altamente renovável, o gás natural amplia seu papel na matriz energética total do país, elevando sua participação de 10% em 2025 para 13% em 2035, com crescimento médio anual de 5,7%, enquanto o petróleo e derivados recuam de 33% para 29% no mesmo período. Para o planejamento, esse movimento reflete a função estratégica do gás como instrumento de estabilidade e flexibilidade em um sistema mais complexo e interdependente. O PDE também projeta 2.780 MW em novas térmicas de autoprodução até 2035, indicando que a busca por segurança e previsibilidade se estende aos grandes consumidores industriais, que veem na geração própria uma forma de mitigar riscos operacionais e de custo. Ao posicionar quase 19 GW em novas térmicas, além da modernização de 8,7 GW do parque existente, a EPE deixa claro na sua proposta de planejamento que a transição energética brasileira precisará ocorrer com reforço da capacidade despachável, com as térmicas como principal pilar de potência firme e segurança operativa. n Fonte: EPE

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