Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 27 Em outubro de 2019 a EPE publicou uma nota técnica (088/2019) na qual apresentava um potencial de modernização e repotenciação de usinas hidrelétricas de 49.973 MW, distribuídos por 51 usinas com 25 anos ou mais de operação. Publicado um mês antes do acionamento da última das 18 unidades geradoras (UG) de Belo Monte, o estudo representava um fio de esperança para a cadeia produtiva do setor. O potencial de aumento de capacidade podia chegar a 10.740 MW, quase uma nova Belo Monte (11.000 MW), na hipótese mais otimista (20% do potencial estudado) ou ficar em 2.685, praticamente a soma das UHEs Itumbiara (2.082 MW) e Nova Ponte (510 MW) na bacia do rio Paranaíba, na hipótese mais pé no chão (5% do potencial). O estudo contemplava ainda a possibilidade de ganho de 7.240 MW com as ampliações de 12 UHEs que possuíam “poços” nas estruturas de suas barragens, total ou parcialmente prontos para receber novas UGs. Em ambos os casos, não havia um horizonte para a concretização das projeções. Ao longo dos quase sete anos desde então, vários projetos de modernização foram iniciados, como os das UHEs Ilha Solteira e Jupiá, da CTG, São Simão, da SPIC, Jaguara, da Engie e da gigantesca UHE Itaipu, ou totalmente concluídos, como em algumas usinas do Complexo Paulo Afonso, da Axia. No entanto, nenhuma dessas modernizações focou em ganho de potência, ficando mais na atualização tecnológica total ou parcial dos equipamentos desgastados pelo longo tempo de uso. Já na vertente das ampliações, o leilão de capacidade (LRCAP) realizado no último dia 18 de março retirou da prateleira o primeiro lote delas, totalizando 2.915,1 MW, proveniente de cinco UHEs, incluindo uma, a UHE Segredo, que não estava naquela lista da nota da EPE. As ampliações estarão prontas entre 2030 e 2031. Agora, a versão Consulta Pública do PDE 2035, ainda pendente de divulgação definitiva, apesar de refletir cadernos já divulgados ao longo do ano passado e deste, indica um potencial de aumento da capacidade hidrelétrica de 2.806 MW até metade da próxima década proveniente de modernizações com ganhos de potência de hidrelétricas. O número corresponde a 35,3% da geração hidrelétrica total projetada para entrar no SIN até 2035 (7.936 MW) e a 77,5% dos 3.622 MW que chegarão ao sistema provenientes de UHEs (o restante virá de PCHs e CGHs). Os 22,5% restantes de capacidade projetados pela EPE para serem acrescidos no período virão da UHE Estrela, em construção (48 MW), e das UHEs Bem Querer (650 MW) e Telêmaco Borba (118 MW), ambas a fio d’água e ainda buscando licenciamento socioambiental. A projeção da EPE é anterior às duas resoluções do CNPE, de abril deste ano, voltadas para acelerar os estudos para a construção de hidrelétricas reversíveis (UHRs) e para a possível retomada da construção de hidrelétricas convencionais com reservatórios. Para a equipe da Superintendência de Geração da EPE, que prefere se manifes-
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