e-revista Brasil Energia 503

Brasil Energia, nº 503, 9 de junho de 2026 37 Eduardo Tobias Ruiz, especialista em análise de viabilidade econômica de projetos, financiamento, M&A e desenvolvimento de negócios, é sócio-diretor da Watt Capital. Escreve na Brasil Energia a cada quatro meses. Eduardo Tobias Financiamento de Projetos Renováveis em 2025-26 Apesar da já abrupta queda de 35,5% no volume do crédito em 2025, as consequências da escalada do curtailment se refletirão ainda mais fortemente a partir de 2026 Coautor: André Ricardo do Rosário Contani Em 2025, houve R$ 223,5 bilhões em financiamento de longo prazo para projetos de infraestrutura no Brasil, considerando as três principais fontes em reais: BNDES (desembolsos); distribuições de debêntures incentivadas; e contratações do Banco do Nordeste (BNB), com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Esse volume é um novo recorde, representando um aumento de 17,9% sobre 2024, que já havia sido um ano excepcional (Figura 1). Figura 1 – Crédito de Longo Prazo para Projetos de Infraestrutura – por Fonte. Fonte: BNDES (2026a)[i]; ANBIMA (2026)[ii]; BNB (2026a)[iii]. Não obstante o ano recorde, o volume de crédito para projetos de geração eólica e fotovoltaica centralizada caiu 35,5% sobre o volume de 2024, somando R$ 12,28 bilhões. Segregando os valores por fonte, o crédito para projetos eólicos caiu 16,9%, enquanto para o fotovoltaico caiu quase pela metade (47,7%). Se corrigidos pela inflação, é o menor volume para eólica em uma década (desde 2016) e, para fotovoltaica, desde 2021. Além da queda no volume, a quantidade de projetos financiados em 2025 também diminuiu bastante, para ambas as fontes. Essa tendência não poderia ser diferente, considerando a severa crise pela qual passam ambas as fontes nos últimos anos. Além da permanência dos altíssimos níveis de taxa de juros, conforme observado na Figura 2 (a TLP em abril está em IPCA + 7,77% a.a.), os crescentes impactos financeiros do curtailment têm inviabilizado muitos novos projetos. Segundo dados da Volt Robotics (2025)[iv], o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) cortou 20,6% de toda a eletricidade gerada pelas fontes fotovoltaica e eólica no ano de 2025. A Volt Robotics estima que esse corte represente perda financeira de mais de R$ 6 bilhões. O tema é tão grave que parte dos geradores apresentaram, diretamente e por meio da Absolar, pedido formal de suspensão temporária de pagamento das prestações dos financiamentos de usinas afetadas pelo curtailment para o BNDES, o BNB e o Banco do Brasil (repassador do FDNE e FCO) (Rodrigues, 2026)[vi]. Continue lendo esse artigo em: /energia/panorama-do-financiamento-deprojetos-renovaveis-em-2025-26

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