Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 31 Segundo Luiz Mello, gerente geral executivo da Radix, a indústria vive uma mudança de paradigma. “Os projetos digitais deixaram de atuar de forma isolada e passaram a integrar arquiteturas de decisão operacional, conectando dados de produção, manutenção, logística, integridade de ativos, segurança e emissões para oferecer uma visão unificada das operações”. Para ele, os principais desafios são acelerar a digitalização das operações, integrar dados hoje dispersos, formar profissionais especializados e elevar simultaneamente produtividade, segurança operacional e eficiência energética. Robô e poço-escola Nascida de spin-offs da PUC-Rio, a Ouronova desenvolveu um sistema de completação inteligente totalmente elétrico, que substitui arquiteturas hidráulicas por soluções eletrificadas, permitindo maior controle da produção e redução dos custos ao longo da vida útil do poço. Outra inovação é o robô Simão, desenvolvido para realizar inspeções internas em mangotes na transferência de óleo para navios aliviadores. Operado a partir de embarcações de apoio, o equipamento elimina a necessidade de desmontagem dos mangotes, identifica falhas em tempo real e reduz o risco de vazamentos e acidentes ambientais. Segundo o CEO da Ouronova, Eduardo Costa, a empresa mantém atualmente 15 projetos financiados com recursos da cláusula de PD&I da ANP, em parceria com operadoras como a Petrobras, Shell, Repsol Sinopec, Galp, Equinor e Prio, além de instituições como a PUC-Rio, USP e Senai-Cimatec. “Hoje somamos 25 patentes, o que dá uma média de uma patente por colaborador da Ouronova”, conta o executivo. A também brasileira Geowellex transformou o Poço-Escola, criado em parceria com a Repsol, em uma infraestrutura destinada à validação de tecnologias para perfuração e abandono de poços. “Essa configuração permite reproduzir condições reais de pressão, temperatura, circulação e interação fluido-formação, criando um ambiente de testes operacional em uma escala muito mais ampliada do que o que é viável de se obter em laboratório,” conta o CEO da empresa, Leonardo Montalvão. Desde sua implantação, mais de mil estudantes, pesquisadores e professores de universidades brasileiras passaram pela instalação, aproximando a pesquisa acadêmica dos desafios enfrentados pela indústria. A Geowellex também desenvolveu o GOLD (Gas Oil Logging While Drilling), sistema capaz de avaliar as características dos fluidos do reservatório durante a perfuração a partir da análise dos hidrocarbonetos transportados pelo fluido de perfuração até a superfície. Outra solução da casa é o StratVISION, plataforma que utiliza inteligência artificial para acelerar e aumentar a precisão das interpretações geológicas ao longo do ciclo de vida dos poços. A companhia tem projetos de PD&I com a Petrobras, Petronas e Karoon em andamento, enquanto mantém relação próxima com universidades como as federais do Rio Grande Norte (UFRN) e Pará (UFPA). “São estados em cuja costa apontam possíveis ativos futuros na Margem Equatorial, estabelecendo um panorama de visão de futuro para a indústria de petróleo e gás brasileira,” justifica Montalvão. n
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