Brasil Energia, nº 504, 30 de junho de 2026 67 povos originários, pelo caminho de parcerias que lhes dão participação na gestão e resultados dos empreendimentos. “A conciliação da produção de energia hidrelétrica com a preservação da Amazônia e de sua biodiversidade é um dos grandes desafios dos próximos anos. As hidrelétricas são essenciais em um sistema elétrico com crescente participação de fontes renováveis intermitentes, como a solar e a eólica, pois fornecem capacidade de armazenamento, flexibilidade operativa, potência e confiabilidade para a operação do sistema”, ressalta a diretora da Abrage. Dos 15,6 GW em UHEs com processos ativos na Aneel, mais da metade (8.040 MW) correspondem à gigante São Luiz do Tapajós que, se construída, será a terceira maior usina 100% brasileira, atrás apenas de Belo Monte e Tucuruí, ambas no mesmo estado do Pará que o projeto do rio Tapajós. Questionado sobre as perspectivas do projeto, uma vez que a resolução do CNPE 07/2026 determinou que a EPE realize estudos de inventário e examine informações atualizadas sobre eixos inventariados na Aneel com capacidade de armazenamento de energia e água, o presidente da empresa federal de planejamento, Thiago Prado, não foi otimista. Segundo ele, São Luiz do Tapajós vem “ficando mais complexo” desde que o potencial entrou em pauta na década passada porque, de lá para cá, novas demarcações de terras indígenas ocorreram na área que seria impactada pela construção da usina. O projeto de São Luiz está arquivado pelo Ibama desde 2016. Dos projetos listados na Aneel, o que a EPE põe mais fé é no da UHE Bem Querer, de 650 MW, em Roraima, cuja construção é importante não só para a descarbonização e segurança energética do estado como também teria impacto positivo sobre a operação do SIN. Isso porque o regime de chuvas na região que fica à margem esquerda do rio Amazonas é inverso ao das demais regiões do país, ou seja, a usina daria importante contribuição durante a seca da margem direita. Prado lembra que a EPE entregou o EIA/Rima de Bem Querer, usina que está incluída no PDE 2035, mas aguarda o estudo do componente indígena (ECI) que está travado pela Funai em decorCAMILLA FERNANDES, diretora da Abrage THIAGO PRADO, presidente da EPE LUCAS PIMENTEL, presidente da AbraPCH ALESSANDRA TORRES, presidente da Abragel Quem é fonte nesta matéria
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