e-revista Brasil Energia 505

Brasil Energia, nº 505, 31 de julho de 2026 77 No imenso território amazônico, com seus mais de 5 milhões de km2 que se estendem por nove estados brasileiros, o diesel é um produto com mil e uma utilidades e ainda vai perdurar por muito tempo como combustível dominante, seja para gerar energia em sistemas isolados, para o transporte basicamente fluvial entre cidades e comunidades e ainda para diversas atividades produtivas. Nas contas do ICL – Instituto de Combustível Legal, na região são transportados 11 bilhões de litros/ano só por transporte fluvial. Além das grandes termelétricas, os pequenos grupos geradores movidos a óleo diesel são muito comuns e garantem, mesmo a um custo elevado, o funcionamento de casas, comércios e pequenas indústrias. De acordo com a EPE, o combustível respondeu por 70% da geração de energia elétrica dos sistemas isolados em 2025. Trata-se de um mercado considerável, porém complexo pela extensão, pulverização e logística. Ainda assim, a comercialização do gás em pequenos suprimentos por GNC ou GNL já começa a entrar nos planos dos produtores, transportadores e concessionárias locais. E para entrar nesse mercado de pequenos e médios consumidores, não basta a virtude da descarbonização, benefício que ocupa um dos últimos lugares na fila de prioridades do amazônida. Mas se o diesel tem vantagens, também tem fraquezas e são essas fraquezas que começam a ser percebidas e exploradas como potencial vantagem para o novo produto. Além da menor pegada de carbono, o GNL é vantajoso sobre o diesel por sua maior eficiência energética, pela logística mais racional e menor manutenção de motores. No caso da Amazônia, essa última vantagem conta mais ponto em uma região em que a simples substituição de uma peça defeituosa, só encontrável em um centro urbano a centenas de quilômetros, pode se tornar uma grande dor de cabeça. Outra é o roubo de carga. O diesel é moeda de troca em qualquer lugar da Amazônia pela sua popularidade, simplicidade de transporte e uso. Já o GNL roubado não é conversível em moeda, por exigir uma estrutura complexa de regaseificação e uso. Projetos pioneiros e potenciais Atualmente, Petrobras e Eneva são produtores locais com planos de levar o

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